Frente de Prefeitos vai pedir mais diálogo
O Planalto ainda não definiu se a presidente Dilma participará de encontro que acontece de amanhã até o dia 9
Para o presidente da Federação Nacional dos Prefeitos, José Fortunati, a relação com os gestores municipais é "muito falha" AGÊNCIA BRASIL IDA A BRASÍLIA Brasília. Em época de ajuste de contas o governo federal tem pouco a oferecer, mas os prefeitos que se reúnem nesta semana em Brasília têm muito a pedir. Dias após convencer o Congresso a adiar a regulamentação da mudança dos indexadores da dívida de Estados e municípios, o Palácio do Planalto ainda não definiu se a presidente Dilma Rousseff participará do III Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, evento promovido pela Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) entre amanhã, 07, e quinta-feira, 09. Dos 27 pedidos dos municípios, quase nenhum pode ser atendido sem mexer nos cofres federais. A mudança no indexador da dívida é questão central para 170 municípios - ou seja, a maioria dos 250 filiados à FNP, que concentra cidades grandes e médias, incluindo as 26 capitais. Sem a alteração, aprovada no fim do ano passado pelo Congresso, mas que o Planalto não pretende regulamentar tão cedo, capitais e vários Estados têm limitada ou mesmo anulada a capacidade de investimento. Na lista de pedidos a FNP aos candidatos à Presidência, em 2014, a alteração era um dos destaques. Fontes ouvidas pela reportagem confirmam que, sem poder mexer na dívida, a recepção à presidente Dilma na reunião seria, na melhor das hipóteses, fria.Envolvidas em problemas com mobilidade urbana e apoio à saúde, as cidades cobram da União uma participação maior no financiamento dessas áreas. O encontro inclui a discussão de temas como crise hídrica, mobilidade urbana e empreendedorismo local. Presidente da FNP, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (licenciado do PDT), alega que os municípios receberam recursos para financiar infraestrutura para mobilidade urbana e construção de postos de saúde, além de unidades de atenção básica, mas estão às voltas com problemas com o preço da passagem e o custeio da saúde. "O governo federal tem de fazer opções e queremos opinar", diz. Prestígio Uma das questões que não envolvem gastos é criar uma mesa federativa, coordenada pela Presidência, para abrir canais de diálogo que garantam o mesmo espaço dado aos governos estaduais. "A relação com os prefeitos é muito falha. Nós nos sentimos desprestigiados em comparação com a relação com os governadores", critica Fortunati. Há uma semana, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, procurou Fortunati para avaliar a importância de um contato entre Dilma e os prefeitos. A resposta foi "muita", mas a reunião ainda não está garantida. "Estamos fazendo um ajuste fiscal, que é conjuntural, não estrutural. Não vamos viver fazendo ajuste fiscal forte todos os anos", disse o ministro Pepe Vargas.
























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