Duque diz que esposa não é parente de Dirceu e nunca esteve com Lula
Ex-diretor disse que ficaria calado, mas quis responder essa questão.
Apesar de ter afirmado na CPI da Petrobras que permaneceria calado, Duque rompeu o silêncio para esclarecer suposto parentesco de sua mulher com o ex-ministro José Dirceu (Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados). Ele disse que decidiu falar devido à ‘ameaça’ de convocação da esposa à CPI. Fernanda Calgaro e Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou nesta quinta-feira (19) à CPI da Petrobras que sua esposa não tem parentesco com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e que ela nunca esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acusado de participar do esquema de corrupção que atuava na estatal, Duque havia dito que ficaria calado durante toda a sessão, mas decidiu romper o silêncio e responder a uma pergunta que mencionava sua mulher. "Não tenho nenhum problema de responder questão de parentesco. Basta olhar a árvore genealógica de um, a árvore genealógica de outro. Não tenho nenhum parentesco, nem nunca teve, nem esposa, nem ninguém. Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula, nunca esteve com [Paulo] Okamotto", afirmou o depoente em resposta a uma pergunta do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF). Conforme notícia que circulou na internet, a mulher de Duque seria parente de Dirceu e teria procurado Paulo Okamotto, amigo de Lula, para pedir que o ex-presidente intercedesse junto ao Supremo Tribunal Federal para que Duque fosse solto. O ex-diretor foi preso em novembro do ano passado e solto 20 dias depois após decisão do ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Lava Jato no STF. Na última segunda (16), ele voltou a ser preso a mando do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, após realizar movimentações bancárias suspeitas em contas na Suíça. Ao responder a uma pergunta do deputado do PSDB, Duque afirmou entender como “uma ameaça” a disposição de integrantes da CPI de convocar sua mulher a falar na comissão. A convocação foi defendida, ao longo da sessão, por parlamentares do DEM, do PSDB e pelo deputado Darcísio Perondi (RS), do PMDB. "Estou respondendo contrariando a orientação do meu advogado porque vejo o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) falando a toda hora que tem que convocar a minha esposa. Eu estou entendendo como uma ameaça”, disse o ex-diretor da Petrobras. Depois de responder à pergunta de Izalci, Duque acabou se pronunciando novamente. Em resposta a uma pergunta do deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), o ex-diretor disse não conhecer o doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato e acusado de ser um dos operadores do esquema de pagamento de propina na Petrobras. "Vou ficar calado e não conheço senhor Yousseff", afirmou Duque. Duque está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba. Para depor aos deputados federais, ele foi conduzido em um avião da PF até Brasília. Ele deixou a carceragem da Polícia Federal na capital paranaense por volta das 5h desta quinta. Por ordem do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processo da Lava Jato na primeira instância, Duque foi escoltado sem algemas ao plenário da CPI. Como foi denunciado no processo da Lava Jato, Duque não tem obrigação de jurar falar a verdade à comissão e pode se recusar a responder às perguntas dos parlamentares, na medida em que a Constituição não exige que os cidadãos produzam provas contra si mesmo.




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