Lideranças lamentam baixa presença política

Até hoje, apenas 197 mulheres foram eleitas deputadas no Brasil, exercendo, ao todo, 407 mandatos

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defende a retirada do poder econômico das campanhas para elevar a representação das minorias FOTO: AGÊNCIA CÂMARA MULHERES  Brasília. As 197 mulheres eleitas até hoje exerceram 407 mandatos de deputada. Entre elas, várias foram reeleitas. Nesta legislatura, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Marinha Raupp (PMDB-RO) completam seis mandatos na Câmara. As duas empatam com a recordista até então: Ivete Vargas (PTB -SP), que foi deputada entre os anos 1950 a 1980. A baixa representação de mulheres na Câmara e na política de maneira geral é uma preocupação de lideranças femininas. A ministra da Secretaria de Políticas Para as Mulheres, Eleonora Menicucci, afirmou que é incompreensível um país eleger e reeleger uma mulher presidente da República, mas ter poucas governadoras e prefeitas. "A participação no Legislativo, então, é lamentável. Isso se dá por causa das mulheres? Não! Mas de uma cultura patriarcal. É difícil a mulher entrar num partido, conseguir uma divisão equitativa dos recursos e tempo igual de TV. Não há lista paritária. Uma reforma política precisa alterar isso", diz a ministra. Coordenadora da bancada feminina, a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), disse que o crescimento do número de mulheres deputadas de 2010 a 2014 (45 para 51) é insignificante: "Isso não é um crescimento. É uma estagnação", disse. Jandira foi eleita pela primeira vez em 1991 e, dois anos depois, tornou-se a primeira parlamentar a usufruir o direito à licença-maternidade durante o mandato. Nesta legislatura, é a única mulher líder de partido. Para ela, isso mostra como o ambiente político é predominantemente masculino. "Foi uma batalha. Eu, estando grávida da minha filha, não conseguia sair de Brasília (para fazer o pré-natal no Rio). Isso para você ver o nível de preconceito. Apesar de a presidente ser mulher, isso não se reflete em ocupação dos espaços de poder pelas mulheres, porque ainda há muita opressão de gênero. Só tem terno e gravata naquele Congresso". Jandira defende uma reforma política que contemple mudanças no sistema de financiamento de campanhas eleitorais: "Se não houver mecanismos de retirada do poder econômico das campanhas, continuaremos sub-representadas. O financiamento por empresas é um absurdo e prejudica a democracia, já que é uma das causas da corrupção. Enfrentar esse sistema é fundamental para a representação das chamadas minorias, não só mulheres, mas negros, LGBTs, índios e trabalhadores rurais".