Seca não gera 'crise profunda' na produção, diz ministra da Agricultura


Kátia Abreu teve reunião no Palácio do Planalto sobre crise hídrica.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, concede entrevista coletiva no Palácio do Planalto (Foto: Lucas Salomão/G1) Ela disse que está na 'torcida' para que haja chuva nos próximos dias. Lucas SalomãoDo G1, em Brasília A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou nesta quarta-feira (11) que a falta de chuva em diversos estados brasileiros não causa, neste momento, uma "crise profunda" na produção agropecuária do país. A ministra disse que os estudos do ministério mostram que a umidade do solo tende a aumentar porque choveu em locais onde não estava chovendo. Nesta quarta, ela se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e com outros chefes de pastas com competência para gerir a crise hídrica no Brasil. Na reunião, segundo a ministra, foram apresentados estudos de satélites que apontam que a produção de alimentos não sofrerá impactos profundos. A leitura desses satélites, segundo ela, é feita a cada dez dias. "Neste exato momento, nós não estamos vendo uma crise profunda na produção. [...] Com essas chuvas de fevereiro que estão previstas, estamos muito otimistas de que a proxima leitura [dos satélites] possa apresentar um resultado diferente", afirmou Kátia. Segundo a ministra, a produção de comodities está garantida no país. Ela também afirmou que a soja, um dos principais produtos alimentícios produzidos no Brasil, já foi colhida em janeiro sem grandes perdas. "A grande preocupação do governo é com as pessoas e com a produção industrial", explicou a ministra ao responder uma pergunta sobre uma possível preocupação de a seca impactar negativamente o resultado da agropecuária. Questionada sobre se há um "otimismo" para a chuva nos próximos dias, Kátia Abreu afirmou que não é um "otimismo exacerbado". "Eu só quero dizer que é um otimismo não exacerbado, é uma torcida bem realista. Ficamos otimistas por períodos. O importante é que o Brasil saiba que os instrumentos existem, tecnológicos, para não pegar ninguém de surpresa. Esperamos que o satélite possa dar indicadores diferentes", disse. Além de Kátia Abreu e Aloizio Mercadante, participaram do encontro os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia), Gilberto Occhi (Integração Nacional), Gilberto Kassab (Cidades), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Jaques Wagner (Defesa), Nelson Barbosa (Planejamento). Ao comentar sobre a possibilidade de outros estados sofrerem com a seca nos próximos três meses, a ministra afirmou que o Nordeste deve passar por um período de estiagem "mais uma vez". "O Nordeste mais uma vez, nós sabemos, poderá ter uma forte seca no semi-árido, uma ausência de chuva nesses próximos três meses, principalmente no Ceará, Paraíba e Pernambuco. Outros estados, Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas estão no segundo plano com relação a gravidade da seca", explicou. A ministra explicou que as produções de tomate, cebola e batata não dependem apenas da região sudeste, que é o centro da crise hídrica. Segundo ela, outros estados "que não passam pela crise de São Paulo poderão suprir esta produção". Para a ministra da Agricultura, a produção do estado de São Paulo não será "zero". "A [produção de] laranja em São Paulo terá um impacto negativo, mas não significa que tudo será perdido", ressaltou. "Alimento não falta. Preço é coisa sazonal e não estrutural. Estamos com expectativa que os perímetros irrigados do nordeste e Goiás vão produzir o suficiente para não ter problemas com os produtos", concluiu Kátia Abreu.