PF diz que telefonema de executivo indica vazamento sobre prisão

PF pediu prorrogação de seis prisões por suspeita de vazamento.

A Polícia Federal encaminhou transcrições telefônicas à Justiça Federal do Paraná nas quais aponta indícios de que a informação sobre a prisão de executivos na sétima fase da Lava Jato vazou um dia antes da operação ser deflagrada, em 14 de novembro. As suspeitas da PF são baseadas em telefonema do responsável pela UTC Participações, Ricardo Ribeiro Pessoa, com um de seus advogados, Renato Tai.

Em 18 de novembro, ao pedir a prorrogação das prisões de seis pessoas detidas na operação, a PF afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos na primeira instância, que a prorrogação seria necessária em razão do vazamento das informações relativas à sétima fase.

Nas transcrições, a PF cita trecho no qual o advogado Renato Tai afirma ao cliente que há um "problema" em "potencial" e vem “do sul do país”, em possível referência à cidade de Curitiba (PR), onde se concentram os processos da Lava Jato.

Ainda no documento, a Polícia Federal afirma que, com o objetivo de instruir o delegado Macio Adriano Anselmo – um dos que atuam na Lava Jato – encaminha informação com indício “relevante” do possível vazamento  de informações a respeito da sétima fase da operação.

Na transcrição disponível, a PF seleciona trecho em que Ricardo Pessoa pergunta ao advogado: “algum problema?”. O advogado responde: “potencialmente, sim”. Pessoa, então, o questiona: “de onde veio esse problema? Do sul do país?”. E Ricardo Tai afirma: “ah, é previsão, Ricardo, não é certeza, mas é uma previsão”. Pessoa insiste: “veio do sul”. E o advogado confirma: “sim”.

“Através do monitoramento do referido investigado [Ricardo Pessoa], identificaram-se indícios de que houve um vazamento de informações a respeito da próxima etapa de deflagração da Lava Jato”, aponta a Polícia Federal no documento enviado ao delegado.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, em mensagem a uma pessoa chamada João, Ricardo Pessoa sugere que outros advogados têm conhecimento da operação. “João. Estão todos avisando (advs) que amanhã poderá ter café da manhã muito cedo. Aqui. Em WP. Aí, etc. Abs”, afirmou o executivo da UTC. A PF não esclarece o que significa a sigla “WP”.

Gerson Almada
Segundo levantamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de novembro deste ano, o vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, um dos presos na operação, transferiu quase R$ 16 milhões para o exterior às vésperas da sétima fase da Lava Jato ter sido deflagrada.

Além disso, o advogado de Almada, Fábio Tofic, enviou mensagem ao cliente em 13 de novembro na qual afirmou que haviam “boatos” de que no dia seguinte iria ocorrer uma operação da PF no caso da Lava Jato. À época, Tofic disse ao G1 ter enviado o texto baseado em especulações.

Filipe MatosoFilipe Matoso