MP quer ouvir Paulo Roberto Costa em inquérito sobre Sergio Machado

Ex-diretor da Petrobras disse ter recebido propina de Machado, que nega.

Uma promotora do Rio de Janeiro pediu ao juiz responsável pela Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras, para ouvir o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

O objetivo é apurar uma “suposta evolução patrimonial incompatível com a renda” de Sergio Machado, presidente licenciado da Transpetro, subsidiária responsável pelo processamento de gás natural e transporte de combustíveis.

O pedido da promotora Gláucia Maria da Costa Santana foi feito por meio de ofício enviado nesta quinta-feira (6) ao juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, responsável pelo processo da Lava Jato.

No documento, ela informa que notificou Paulo Roberto Costa e informou seus advogados sobre o inquérito civil que está conduzindo. As investigações estão sob sigilo, segundo a assessoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Em nota à imprensa, a assessoria de imprensa de Sergio Machado afirmou que ele forneceu todas as informações solicitadas ao Ministério Público “evidenciando a sua atuação lícita e regular” e que passados cinco anos da abertura do inquérito, o órgão não apresentou acusação formal contra ele.

Ainda segundo a assessoria, em 22 de julho foi emitido um relatório de análise fiscal do MP que atesta “compatibilidade patrimonial em todos os anos-calendário”. “O MP concluiu de forma categórica que os ganhos de Sergio Machado são totalmente compatíveis com sua renda e patrimônio”, diz a nota.

Costa fez acordo de delação premiada e, em depoimentos, relatou o recolhimento de propina de fornecedoras da Petrobras para abastecer partidos políticos. Em troca da colaboração com as investigações, o ex-diretor da Petrobras ganhou o benefício da prisão domiciliar.

Em um dos depoimentos no processo criminal em andamento na Justiça Federal do Paraná, Paulo Roberto Costa disse que tinha conhecimento de que a Transpetro também repassava propina a políticos. Ele disse ter recebido R$ 500 mil de Sergio Machado, em razão de a Diretoria de Refino e Abastecimento, que comandava, ter participado da contratação de navios para a Transpetro.

Ainda de acordo com o ex-dirigente, a propina foi paga em dinheiro na casa de Machado, no Rio. Ele disse que não lembra quando ocorreu o negócio, mas que teria sido entre 2009 e 2010. "[O dinheiro] foi entregue diretamente por ele [Machado], no apartamento dele no Rio de Janeiro", contou Costa.

Declarações 'mentirosas e absurdas'
Em nota divulgada no início de outubro, após a divulgação do depoimento, a assessoria da Transpetro disse que Sergio Machado negou "com veemência" as declarações de Paulo Roberto Costa a seu respeito. O presidente da subsidiária da Petrobras classificou o relato do ex-diretor de "mentirosas e absurdas".

O comunicado também diz que Machado estranhou o fato de as declarações terem sido divulgadas em pleno processo eleitoral. A assessoria informou que o dirigente da subsidiária "tomará todas as providências cabíveis, inclusive judiciais, para defender a sua honra e a imagem da Transpetro".

Na última segunda (3), Sergio Machado decidiu se licenciar da presidência da Transpetro defendendo sua gestão à frente da empresa. Antes, no dia 10 de outubro, em meio a especulações de que ele seria demitido do cargo, a presidente Dilma Rousseff, em entrevista no Palácio da Alvorada, afirmou a jornalistas que ele havia sido chamado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a prestar esclarecimentos sobre as denúncias.

Renan RamalhoDo G1, em Brasília