Os desafios de Dilma e Camilo na economia para os próximos 4 anos

PRIORIDADES NAS MUDANÇAS

Na mais acirrada eleição presidencial desde a ditadura militar, os temas econômicos foram protagonistas nos debates de ideias entre os candidatos ao Planalto. E não por menos: com uma inflação voltando a crescer, o pífio crescimento econômico neste ano, a dificuldade de se manter o equilíbrio fiscal, entre vários outros desafios, a presidente reeleita terá que promover diversas mudanças na condução macroeconômica do País para manter e ampliar os ganhos sociais, elevar a curva de incremento na economia nacional e recuperar a credibilidade nos mercados internacionais.

A reeleição de Dilma Rousseff, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostra que a população está aprovando a economia brasileira. Mas esta não tem sido a leitura da presidente que, inclusive, irá anunciar um novo nome para conduzir o ministério, que é responsável pela formulação e execução da política econômica nacional, pela administração fazendária e pela estrutura fiscal da União. Para ela, a resposta para uma vitória tão apertada será dada através de mudanças.

"Sei que estou sendo reconduzida à presidência para refazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige", afirmou Rousseff, em seu discurso de vitória. "Vamos dar mais impulso à atividade econômica e aos setores, em especial o setor industrial. (...) Seguirei combatendo com rigor a inflação e avançando no terreno da responsabilidade fiscal", completou, adiantando prioridades.

Mais diálogo

"Vejo com melhores olhos a reeleição de Dilma do que antes do resultado da eleição. Como a força oposicionista mostrou grande dimensão, ela não deixará de ser um contraponto. E a presidente, em seu discurso e nas entrevistas, mostrou posicionamento mais atento em relação ao diálogo, o que não vinha acontecendo", afirma o presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação (Confin) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Fernando Castelo Branco.

A presidente já afirmou que iniciará, já a partir da próxima semana, um diálogo amplo com as forças produtivas nacionais, através de lideranças da indústria, agricultura, serviços e também do setor financeiro.

O economista, professor da Unifor e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE), Ricardo Eleutério, também defende essa postura. "No que diz respeito à esfera econômica, é necessário (re) abrir o diálogo com o setor produtivo, realizar mudanças e reformas na economia para corrigir e/ou reverter os principais equívocos cometidos no primeiro mandato. Nos últimos anos, os fundamentos econômicos se deterioraram e com eles as expectativas dos agentes econômicos. Faz-se necessário, urgentemente, um choque de credibilidade", aponta.

Temas polêmicos

Entre as mudanças que a presidente garantiu que empreenderá no segundo mandato lhe dado nas eleições do último dia 26 está a reforma tributária - a qual ela afirma que já iniciou com algumas medidas, como o Simples Nacional - e também o fim da guerra fiscal.

Serão temas polêmicos e delicados. Em relação à guerra fiscal - que se caracteriza pela briga entre estados pela atração de grandes empreendimentos, através da concessão de incentivos fiscais -, o setor produtivo local tem posicionamento contrário.

O governo estadual poderia perder um dos principais atrativos no trabalho de prospecção de investimentos.

Do federal para o estadual

Este diálogo com o plano federal também será o desafio do governador eleito do Ceará, Camilo Santana. Por se do mesmo partido da presidente, acredita-se em um relacionamento profícuo, mas o novo chefe do Executivo estadual deverá cobrar mais empenho do governo federal em investimentos importantes para o desenvolvimento do Estado, como a conclusão da Ferrovia Nova Transnordestina e a concretização do antigo sonho da refinaria de petróleo.

O Diário do Nordeste discute, nesta edição, os principais desafios que se desenham para os próximos quatro anos, no campo econômico, tanto no plano federal quanto no estadual.

Sérgio de Sousa
Repórter