Eleições 2014: Faria, Coutinho e Camilo são eleitos no Nordeste

PSD, PSB E PT

Natal / João Pessoa Três estados nordestinos elegeram seus respectivos governadores em segundo turno. Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará elegeram candidatos que apoiaram a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), ao menos nessa etapa da disputa.

O atual vice-governador potiguar, Robinson Faria (PSD) venceu o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), e governará o Rio Grande do Norte a partir de 2015. Com 100% das seções apuradas, Robinson somou 54,42% dos votos e Alves, 45,58%%. Robinson, 55, ficou em segundo lugar no primeiro turno - conquistou 42% dos votos, ante 47% de Alves.

As pesquisas de intenção de voto do segundo turno mostraram uma virada que, agora, se confirmou nas urnas. Robinson elegeu-se apoiado numa coligação de oito partidos, entre os quais o PT. A aliança lhe rendeu o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gravou vídeo de campanha para ele no final do primeiro turno. Alves reclamou publicamente de Lula e disse que a política pode ser "ingrata". Robinson, por sua vez, reconheceu que seu desempenho nestas eleições se deve à aliança com o PT, que lhe "rendeu militância e a popularidade do ex-presidente Lula".

Os dois turnos da disputa foram marcadas por uma crescente troca de acusações entre os candidatos. Robinson apontou escândalos de corrupção envolvendo o nome de Alves, como o da Petrobras, o que o deputado sempre negou.

Cabeça erguida

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), disse sair de "cabeça erguida" da eleição ao governo do Rio Grande do Norte.

Em rápido pronunciamento a jornalistas que o esperavam no prédio onde mora na zona leste de Natal, em frente a praia Areia Preta, Alves afirmou que não se arrepende de ter optado por disputar o governo potiguar em vez de ser candidato a deputado federal, cargo para o qual foi eleito 11 vezes sucessivas.

"Eu acho que enfrentei de cabeça erguida uma luta para a qual fui convocado pelo meu partido e por outros partidos, por tantas lideranças, pelo povo", afirmou. "Achei que estava na hora de realmente me oferecer ao meu Estado para esta missão que fiz com muita honra, com muita dedicação, com muita serenidade e a campanha toda aprovou este nosso comportamento", completou.

Ele disse que acompanhou a apuração na casa do sogro, Cassiano Arruda, acompanhado por familiares. Alves não aceitou que os jornalistas fizessem perguntas e disse que não era hora de análises.

Embora tenha dito que votou em Dilma Rousseff (PT), o presidente da Câmara não fez campanha aberta à reeleição da presidente. Ainda mais depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu pedindo voto na campanha do adversário.

'Equívoco' lamentado

Já o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), foi reeleito para mais quatro anos de mandato, superando o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) no segundo turno.

Com 92% das seções apuradas, Coutinho tinha 53% dos votos, ante 47% de Cássio, invertendo o resultado do primeiro turno, quando o tucano saiu vencedor por uma diferença de um ponto percentual.

O pessebista foi eleito numa aliança de 13 partidos, unindo na mesma chapa o DEM e o PT, partido do qual estava politicamente afastado desde 2010. A recomposição de forças foi fundamental para o governador viabilizar politicamente sua candidatura, obtendo 5min51s de tempo de televisão no primeiro turno. Até setembro, o governador havia arrecadado R$ 6,2 milhões para a campanha. Coutinho prometeu construir novos hospitais no interior do Estado, contratar mais policiais, criar central de comando e controle para as polícias e universalizar a implantação de escolas em tempo integral no Estado.

Por outro lado, foi fortemente atacado pela redução do número de leitos do Estado e por problemas de segurança hídrica que atingem cidades do interior. Nacionalmente, a reeleição de Coutinho representa uma vitória para o PSB, que também governará Pernambuco e o Distrito Federal a partir do próximo ano.

O resultado significa também um revés para os tucanos, que saem das eleições deste ano sem comandar nenhum Estado nordestino -situação inédita desde a redemocratização do país.

Mais cedo, Ricardo Coutinho afirmou que foi "um erro" o apoio dado por seu partido ao candidato Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais.

Disputa acirrada

No Ceará, estado em que havia dois candidatos da base aliada 'dilmista', Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB), o candidato apoiado pelo governador Cid Gomes (Pros) levou a melhor. O petista teve 53,35% dos votos válidos, contra 46,65% do peemedebista.

Cerca de 4,9 milhões de eleitores compareceram às urnas no Estado no 2º turno.