MP começa negociação de acordo de delação premiada com Youssef

Preso na Operação Lava Jato, ele poderá obter benefícios se colaborar.

Um dia após a defesa revelar que o doleiro Alberto Youssef pretende fazer um acordo de delação premiada, começaram as conversas entre ele os procuradores do Ministério Público Federal responsáveis pelas investigações da Operação Lava Jato.

Desde a manhã desta quarta e até a publicação desta reportagem, Alberto Youssef estava na sede do Ministério Público em Curitiba, informaram ao G1 investigadores que atuam no caso.

Nesta etapa das conversações, o doleiro antecipa as revelações que irá fazer na tentativa de convencer os procuradores de que o acordo ajudará a elucidar as investigações. A negociação também envolve uma proposta de redução de pena.

Youssef foi preso em março deste ano pela Polícia Federal, durante a Operação Lava Jato, acusado de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que movimentou cerca de R$ 10 bilhões, segundo a PF.

Um eventual acordo de delação premiada com Youssef dependerá de o Ministério Público dizer se aceita e em que termos. Pela delação premiada, o réu conta o que sabe e, desde que comprovadas as informações, pode obter beneficios, como redução da pena e responder ao processo em liberdade.

Outro dos presos na operação Lava Jato Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, fez um acordo de delação premiada. No fim de agosto, ele começou a prestar depoimentos diários (que se encerrraram há uma semana), com base em um acordo de delação premiada, a policiais federais e procuradores da República.

Nesses depoimentos, já teria delatado senadores, deputados, governadores e um ministro, supostos beneficiários de recebimento de propina de um esquema de corrupção na empresa. Costa teria intermediado contratos da estatal com empresas de fachada de Youssef.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, outro dos defensores de Youssef, disse que decidiu deixar o caso depois de ter sido informado por intermediários do doleiro de que o cliente estava decidido a fazer acordo de delação premiada. O advogado não concorda com a estratégia.

Kakay ingressou na semana passada com um pedido de habeas corpus em favor de Youssef no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo do advogado era anular todas as provas da Operação Lava Jato, que ele considera ilegais. Além disso, considera "parcial" o juiz do caso, Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná.

Camila BomfimDa TV Globo, em Brasília