'MEDIEVAIS'
São Paulo. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou a criticar duramente o sistema prisional brasileiro em palestra ontem, em São Paulo.
Cardozo, que causou polêmica em 2012 ao afirmar que preferiria morrer a ficar preso em um presídio brasileiro, disse que a política do aprisionamento não só não resolve, como aumenta o problema. "Nosso sistema prisional é medieval", afirmou.
Cardozo disse que o atual sistema mistura presos de alta periculosidade com pessoas que não deveriam estar sequer presas, o que impossibilita a recuperação dos detentos. Para ele, a "cultura de aprisionamento" gera superlotação e formação de organizações criminosas.
Ministro da Justiça desde o início do atual governo, Cardozo afirmou que a presidente Dilma Rousseff investe mais em segurança pública do que seus antecessores. Segundo dados citados por ele, Fernando Henrique Cardoso gastava, em média, R$ 1,2 bilhão por ano, Lula investia R$ 2,6 bilhões, enquanto Dilma destinou R$ 3,6 bilhões.
O ministro admitiu mais cedo que faltam recursos para a segurança pública no Brasil. A declaração não foi dada em tom de crítica, uma vez que, segundo o ministro, faltam recursos para todas as áreas.
"Faltam recursos para a segurança pública, mas faltam recursos para todas as áreas. Esta é uma realidade que nós não podemos ignorar", disse Cardozo, ressaltando que o problema não atinge somente a esfera federal, mas também os Estados.
'Bravatas'
Cardozo repudiou porém o que chamou de bravatas, promessas de investimentos sem a definição de como serão levantados os recursos. "Não se pode fazer bravatas sem consistência. Dizer que investirei bilhões sem dizer de onde tiro", afirmou durante a palestra.
Nos últimos dias, o principal candidato de oposição à Presidência, Aécio Neves (PSDB), tem feito acusações ao governo federal na área de segurança pública. Aécio chegou a dizer que o governo pratica "omissão criminosa na condução de política nacional de segurança pública".
O ministro da Justiça, no entanto, não citou o nome de Aécio ou de qualquer outro adversário enquanto fazia a crítica. "Política de segurança pública não se coloca fora da política econômica do Estado quando falamos de finanças", disse o ministro, que chegou a citar a necessidade de se fazer superávit primário.




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