Brasília. Em estratégia traçada pelo Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), irá recorrer da decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou, na quarta-feira, a instalação de CPI para investigar exclusivamente a Petrobras. O governo mudou de estratégia e decidiu não mais apresentar recurso contra a decisão da ministra Rosa Weber, do STF, que acatou o pedido da oposição. A decisão do Palácio do Planalto foi motivada por pesquisas qualitativas que apontam desgaste na imagem da presidente Dilma Rousseff (PT) por causa do caso Petrobras.
O tema chegou a ser discutido por Dilma com coordenadores de sua campanha, na noite da última terça-feira, no Alvorada. O governo quer acabar com a impressão, apontada em levantamentos, de que não quer investigar nada na Petrobras porque tem algo a esconder. Nos bastidores, auxiliares de Dilma afirmam que nada é pior para um governante do que a sensação da população de que ele fecha os olhos para malfeitos.
Integrantes
A decisão da ministra do Supremo pegou a presidente de surpresa na noite de anteontem (23). Coube ao ministro Mercadante dar-lhe a notícia.
A ordem agora é blindar a investigação a qualquer custo - escalando cuidadosamente os integrantes da comissão.
Convencidos de que conseguirão assinaturas suficientes para abrir uma CPI para o cartel de trens e do Metrô em São Paulo, e para irregularidades no Porto de Suape, em Pernambuco, os governistas já dizem que é preciso apurar as irregularidades cometidas com recursos federais.
A ideia é desgastar as candidaturas do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), rivais de Dilma na disputa presidencial. "Vamos responder de maneira direta àqueles que querem usar a CPI para uma disputa eleitoral, por falta de propostas para o País", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. O líder da bancada do PT no Senado, Humberto Costa, chegou a dizer que iria recorrer da decisão, mas foi convencido a recuar.
Reunião
Ontem pela manhã, Berzoini e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, participaram de reunião no Planalto, com senadores do PMDB e do PT.
Ali se definiu que somente o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - aliado de Dilma - deveria recorrer da decisão tomada pela ministra Rosa Weber. A aposta é que os ânimos se acalmem durante a Copa do Mundo - e que, iniciada a propaganda eleitoral, ninguém vai querer saber de CPI.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, recorreu à ironia ao falar do assunto ontem. "Já tivemos muitas CPIs, ao contrário de outros governos que não tiveram nenhuma", disse ele. Em Belém, o pré-candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) elogiou a ministra: "Ela tomou uma decisão coerente com o que já dizia a jurisprudência do Supremo".
Indicações
Líderes do PT prometeram indicar até a semana que vem os integrantes para a comissão de inquérito do Senado, mas o objetivo central da sigla é esvaziar os trabalhos. O PT trabalha para assumir o controle da CPI, barrando convocações e temas incômodos ao Planalto. Como forma de conter possíveis danos, o partido também quer impedir a instalação da CPI mista (com deputados e senadores) da Petrobras, já que na comissão do Senado o governo terá ampla maioria e deve indicar ao menos 9 de seus 13 integrantes.
A CPI só será instalada no Senado depois que os líderes partidários indicarem seus membros.
Não há prazo previsto no regimento da Casa, mas os senadores trabalham informalmente com o período de 30 dias após Renan pedir os nomes oficialmente. O presidente do Senado só vai tratar do assunto na próxima semana, quando volta de viagem oficial à Itália. Em nota ontem, Renan defendeu os argumentos do governo ao afirmar que fatos diversos podem ser incluídos no início das investigações das CPIs, mesmo sem relação com o seu tema central. "Se fatos podem ser acrescidos durante a apuração, entende-se que muito mais eles são possíveis na criação da CPI", afirmou.
Em Roma, justificou o recurso ao STF: "O Senado quer mais, quer uma decisão do pleno , não apenas uma manifestação individual (da ministra Rosa Weber)". Já a oposição vai cobrar a instalação imediata da CPI.
"Não há mais como adiar. A decisão está tomada. A garantia ao direito das minorias foi garantida no STF e agora é hora de fazermos as investigações", disse Aécio.




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