Secretária investigada por fraude em SP diz que 'paga preço do sucesso'

Ela nega acusações existentes na Rede Lucy Montoro e nepotismo.

A secretária de Pessoa com Deficiência do governo de São Paulo, Linamara Rizzo Battistella, investigada pelos auditores do governo por suspeita de fraude e nepotismo na pasta, negou nesta sexta-feira (25) as denúncias na Rede Lucy Montoro, entidade criada pelo administração estadual para reabilitação de deficientes físicos.  Segundo Linamara, ela está “pagando pelo preço do sucesso”.

Após o recebimento de denúncia anônima em julho de 2013, técnicos da Secretaria da Fazenda realizaram auditoria na pasta. Os auditores do governo apontaram indícios de fraude na contratação de médicos, já que havia mais profissionais na folha de pagamentos do que efetivamente trabalhando. Além disso, a pasta também é investigada por contratar a empresa L+ M Gets Ltda sem realizar cotação de preços.

 “É um projeto inovador [rede Lucy Montoro], eu estou pagando o preço do sucesso, porque se ele fosse um projeto medíocre ninguém ia estar interessado em atacar, nem os adversários políticos”, afirmou Linamara ao G1 . “A auditoria teve viés”, disse. No entanto, ela que está no cargo desde 2009, negou que tenha adversários dentro do próprio governo tucano. “Tenho amplo respaldo dos meus colegas.”

As apurações foram encaminhadas à Corregedoria-Geral do Estado, mas ainda não há conclusão.

A secretária afirmou que as contratações não foram realizadas pela sua pasta, mas são de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde.

“Eu não participo nem dos contratos, nem da avaliação dos contratos do ponto de vista financeiro, nem dos processos de seleção”, argumentou Linamara.

De acordo com a secretaria, as acusações são falsas, já que ela não tem autoridade no caso. “É absolutamente inverídico tudo o que está escrito lá. Seria associar com uma questão com que eu não tenho nem autoridade e nem competência de decidir.”

Questionada pelo G1, a Secretaria de Estado da Saúde disse que está auxiliando nas investigações.

Sobre a L + M Gets, Linamara disse que a empresa de arquitetura foi contratada através de licitação em 2007 e responsável pela reforma e ampliação do Instituto de Pessoa com Deficiência Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas.

Nepotismo
Os técnicos citaram na auditoria que a irmã da secretária, Maysa Rizzo, se apresenta como sua interlocutora, o que configura nepotismo contratação de parentes no serviço público.

O relatório apresentado pelos auditores mostra os e-mails enviados por Maysa por meio do correio eletrônico institucional da Rede Lucy Montoro. No entanto, a secretaria nega que a irmã tenha atuado na sua pasta, mas que usou o e-mail para estabelecer vínculo com a rede, já que trabalha na Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que presta serviços para a entidade. 

“Não teve [a irmã] nenhum vínculo empregatício, nenhum cargo. O fato de usar um e-mail para se relacionar com os representantes de uma rede que vão formar, trazer informações para que a gente possa construir uma lógica de indicadores não significa que ela seja funcionária. Simplesmente era para eles identificarem que o que estava sendo pedido tinha lógica”, afirmou Linamara.

Os auditores também apontaram que uma passagem aérea foi adquirida em nome de Maysa para Porto Alegre. “A passagem foi comprada no sistema público do governo do qual a Secretaria de Pessoa com Deficiência Física participa. Ela foi comprada porque era interesse da secretaria que um técnico da Fipe, junto com o nosso técnico que acompanhou, pois havia a questão jurídica da contratação”, alegou Linamara. Na ocasião, Maysa estudava a compra de um sistema pré-moldado de construção de unidades de saúde. O projeto acabou não sendo implantado devido ao alto custo.

Além disso, no fim de 2012, a secretaria deixou um carro à disposição de Maysa. A secretaria alegou que o  uso do veículo foi “intermitente e eventual” e foi usado para viagens ao interior por questões de trabalho.

Tatiana SantiagoDo G1 São Paulo