Diretor de sindicato é detido em frente à escola ocupada em Pinheiros, SP

Roberto Guido é da Apeoesp e reclamou de procedimento da Polícia Militar. Estudantes ocupam escola estadual desde a manhã desta terça-feira (10).

Detenção de diretor da Apeoesp em frente à escola ocupada em Pinheiros (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo) Will SoaresDo G1 São Paulo O secretário de Comunicações do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Roberto Guido, foi detido na tarde desta quarta-feira (11) em frente à Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, ocupada por estudantes desde a manhã desta terça-feira (10). Os alunos protestam contra a reorganização do ensino na rede estadual, que prevê fechamento de escolas. A confusão que levou à detenção do sindicalista começou quando dois estudantes deixavam a escola, por volta das 14h15, e passavam dados para os policiais militares que estão em frente à unidade de ensino. A todos os estudantes que deixam a escola, a PM pede dados pessoais, como nome e RG, além de fazer um registro em vídeo dos alunos. Guido se aproximou e contestou a necessidade da filmagem dos estudantes. Ele recebeu voz de prisão imediatamente, mas resistiu e tentou se afastar do policial que segurava seu braço. O diretor atravessou uma pista da Avenida Pedroso de Morais tentando se desvencilhar do PM, mas acabou caindo no chão próximo ao canteiro central da via e foi dominado pela polícia. O diretor deve ser levado para o 14º Distrito Policial, em Pinheiros, segundo a Polícia Civil. Leandro Oliveira, secretário-geral da Apeoesp, afirmou que o detido acompanhava a manifestação dos alunos desde a noite de terça-feira. Segundo ele, Roberto Guido foi preso sob a acusação de desacato porque teria dito que o protocolo cumprido pela Polícia Militar na saída de cada aluno da ocupação é uma "bobeira". Leandro tentou intervir para impedir a detenção do companheiro de associação, mas também foi contido pelos policiais. Ele foi outro a ir ao chão durante o tumulto. "Eu fui agredido. Fui tentar negociar, mas a polícia, com a sua truculência, passa por cima de qualquer um. E foi isso que aconteceu", explicou Leandro. Para ele, a detenção de Guido por desacato é descabida: "ninguém pode se manifestar no Estado de São Paulo. Se manifestar agora é desacato. É um absurdo". Os responsáveis pela operação da PM em frente à escola não se manifestaram sobre a prisão. O G1 questionou a sala de imprensa da PM sobre a coleta de dados dos estudantes e aguarda um retorno. Após o tumulto e a detenção do sindicalista, cinco alunos que ocupavam a escola decidiram sair. Nem os jovens que estão lá dentro nem a PM confirmam o número de manifestantes que permanecem no interior do colégio. A Secretaria da Segurança informou por meio de nota divulgada nesta manhã, antes da detenção do sindicalista, que acompanha o protesto de alunos em Pinheiros "para resguardar a integridade dos manifestantes e dos demais cidadãos que estão no local". "Um rapaz foi contido após cruzar o perímetro de isolamento da área. A PM esclarece que ninguém foi preso por participar do ato. Até agora, 15 pessoas saíram da escola e foram entregues aos pais ou repassados ao Conselho Tutelar. A Polícia impede a entrada de novos manifestantes devido à irregularidade da ocupação do prédio", diz a nota.

Detenção de diretor da Apeoesp em frente à escola ocupada em Pinheiros (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Detenção de diretor da Apeoesp em frente à escola ocupada em Pinheiros (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Ocupação Cerca de 30 estudantes ocupavam a escola na manhã desta quarta-feira (11). Os alunos passaram a noite dentro da escola. Na madrugada, segundo o Bom Dia São Paulo, o pai de uma aluna foi buscá-la e houve princípio de tumulto. Ele chegou a subir na grade, mas foi impedido de entrar pelos policiais. Pouco depois, a adolescente saiu da escola. A Procuradoria Geral do Estado vai entrar com pedido de reintegração de posse da escola.
Alunos mantêm ocupação de escola em Pinheiros na manhã desta quarta (Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
Alunos mantêm ocupação de escola em Pinheiros na manhã desta quarta (Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
Em assembleia na noite da terça-feira, os estudantes decidiram que continuariam dentro da escola por tempo indeterminado. Outro grupo também ocupa uma escola estadual em Diadema, no ABC, desde a noite da segunda-feira (9). A reforma vai fechar 94 escolas e restruturar várias outras para unidades de ciclo único (apenas 1º ao 5º anos, 6º ao 9º anos ou ensino médio). Hoje, a escola Fernão Dias Paes tem turmas do ensino fundamental dos anos finais (6º ao 9º ano) e do ensino médio. Em 2016, com a reorganização do ensino, a escola passará a ter apenas o ensino médio. Os alunos do ensino fundamental serão transferidos, segundo a Secretaria da Educação. Manifestação A PM diz que os estudantes começaram a manifestação às 6h55 desta terça-feira e impediram a entrada de funcionários. Policiais cercaram a escola. Mesmo os alunos que chegaram pela manhã para assistir às aulas, sem participar do protesto, precisaram esperar a chegada dos familiares para a liberação da saída pela Polícia Militar. De acordo com estudantes que estavam no local, outras escolas da região serão fechadas e, por isso, haverá um remanejamento na quantidade de alunos na escola Fernão Dias Paes. Os alunos reclamam que poderá ter pelo menos mais 10 pessoas por sala e que estudantes que moram em outros bairros podem ser obrigados a sair do colégio.
Escola Fernão Dias ocupada por alunos (Foto: Douglas Pingituro/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)
Escola Fernão Dias ocupada por alunos (Foto: Douglas Pingituro/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)
Boletim de ocorrência Segundo a Secretaria da Educação, por meio de sua assessoria de imprensa, há estudantes que ocuparam a escola que não são alunos da unidade. A pasta registrou boletim de ocorrência por depredação ao patrimônio público e afirmou que os alunos não quiseram conversar com representantes da secretaria.
Até manifestar, acho tranquilo. O que me preocupou foi a polícia chegar nessa proporção"
Juliana Oliveira, de 41 anos, mãe de estudante
De acordo com a diretora de ensino da região Centro-Oeste, Rosângela Valim, os funcionários da escola foram "surpreendidos por cerca de 40 pessoas que não são da escola". "É um grupo radical que está lá dentro e não deixam que as crianças saiam do prédio. Eles invadem o prédio público, colocam funcionários para fora da escola e não deixam ninguém entrar e sair. Isso é cárcere privado", afirmou. "As crianças que estão lá dentro, não sabemos como elas estão. Os pais não sabem. Não temos acesso ao grupo de alunos. De 60 a 80 alunos. Não faz parte da rede. A escola é tranquila, não tem esse tipo de radicalismo. A diretora está estarrecida", disse Rosângela. De acordo com ela, a direção quer entrar para conversar com os alunos, mas eles não "aceitam o diálogo".
Escola Fernão Dias ocupada por alunos (Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
Escola Fernão Dias ocupada por alunos (Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
Caso em Diadema Na Escola Estadual Diadema, 18 alunos ocuparam o refeitório na noite desta segunda-feira (9), por volta das 19h, o que impediu as aulas do período noturno. Eles montaram barracas e tocaram bumbo, segundo a diretora de ensino de Diadema, Liane Bayer. Durante a madrugada, alguns pais foram buscar os filhos. A E. E. Diadema tem Ensino Fundamental e Médio. No ano que vem, os alunos que irão para o 1º ano do Ensino Médio irão ser transferidos para a Escola Estadual Filinto Miller. Os que estão no 2º ou 3º ano concluirão os estudos na E. E. Diadema.