'Sentimento de alívio', diz subtenente após conclusão de laudo no Ceará

Francileudo Bezerra falou nesta quarta após divulgação do laudo do crime.

Polícia constatou pesquisa sobre veneno no computador da mãe (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução) Documento apontou que mulher envenou e matou filho de nove anos. Do G1 CE Depois do laudo pericial apresentar que Cristiane Coelho envenou o filho Lewdo Bezerra, de nove anos, e o ex-marido Francileudo Bezerra em novembro de 2014, o subtenente do Exército, que foi considerado suspeito do crime, afirmou estar aliviado na tarde desta quarta-feira (15). "O meu sentimento é de alívio, não é de alegria. Agora, está confirmado que eu nunca atentei contra a minha vida nem matei meu filho. Com certeza, se eu tivesse falecido, eu seria o pai que matou o filho e que depois se suicidou". De acordo com o delegado Wilder Brito, responsável pelo inquérito, Cristiana é a autora da morte do filho e não esperava que o marido sobrevivesse ao envenenamento. "O laudo reafirma tudo o que a gente já suspeitava, que quem matou o menino Lewdo foi a Cristiane, a própria mãe, e quem envenenou o pai [de Lewdo Bezerra] foi a também a mãe", afirma o delegado. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15), a polícia e a perícia afirmaram que estão reunindo a documentação para pedir na Justiça prisão preventiva de Cristiane Coelho. Segundo o delegado, a mulher será acusada de homicídio triplamente qualificado. O advogado de defesa de Cristiane, Paulo Quezado, disse que ainda não teve acesso ao laudo. O próximo passo para Francileudo é trazer o filho mais novo do casal, de cinco anos, de volta a Fortaleza. Ele foi levado pela mãe para morar em Recife, depois do crime. "Isso é uma guerra, ganhamos a primeira batalha, chegou-se à conclusão que ela é a criminosa. A próxima batalha para vencer é resgatar meu filho que foi 'sequestrado' por ela", afirmou o subtenente. Francileudo também fala que não perdoa a ex-mulher pelo o que ela com o filho que era autista. "Se me perguntasse se eu perdoaria ela, se tivesse sido só comigo, talvez eu perdoasse, mas o que ela fez com a criança, não perdoo". Notebook O ponto-chave no laudo foi a análise do notebook usado pelo casal. "Cristiane dizia que estava dormindo antes do crime, mas ela mente. Temos os registros que, durante a tarde, momento que o Francileudo não estava em casa, ela fez uso do computador", diz o delegado. O laudo diz que a mãe de Lewdo pesquisou como envenenar uma pessoa com veneno para rato, conhecido como chumbinho. O documento detalha os termos de busca: "quanto tempo leva para morrer quem ingeriu chumbinho?"; "abordagem dos envenenamentos e das dosagens excessivas de medicamentos"; "matou mulher e ingeriu chumbinho"; "menina de 12 anos morre após ingerir chumbinho em Paulista"; "os elementos da morte" e "suicídio". De acordo com Wilder Brito, no dia do crime, Cristiane colocou o veneno de rato em sorvete de morango para filho e em bebida alcoólica para o marido. A substância foi encontrada na pia da cozinha da casa do casal. O pai ficou em coma por uma semana e se recuperou; ele chegou a ser apontado como suspeito de homicídio e tentativa de suicídio no início do caso, suspeita que foi descartada após a conclusão do laudo, segundo Wilder Brito. De acordo com o delegado e os peritos, Cristiane e Francileudo usavam o mesmo notebook, mas de formas diferentes. “Os equipamentos eletrônicos foram enviados ao núcleo de informática [perícia] e neles os peritos descobriram situações que precisavam ser esclarecidas”, disse o perito José Cordeiro de Oliveira, esclarecendo a necessidade a segunda reconstituição do crime feita em 8 de abril. Versão Na madrugada do crime, a mulher contou à polícia que o marido tinha matado o filho Lewdo com tranquilizantes e tentado se matar, além de agredi-la. De acordo com o primeiro depoimento da mulher do militar, o marido obrigou que ela e o filho ingerissem tranquilizantes com objetivo de matá-los e, em seguida, tentou suicídio com remédios, mas o laudo toxicológico no corpo do menino indicou que ele morreu por ingestão de veneno de rato. O subtenente foi preso em flagrante e levado para o Hospital do Exército, onde ficou em coma por uma semana. Imagens da casa A polícia divulgou em fevereiro imagens da casa onde ocorreu o crime gravadas no dia em que foi feita a última perícia no local. São imagens do dia 30 de dezembro, mostradas pela primeira vez. A equipe encontrou chumbinho no encanamento da pia.