França lança 1º ataque aéreo contra ‘EI’ na Síria

Mais de 200 mil sírios já morreram desde o início do conflito no país, em 2011

De acordo com o governo francês, caças do país atacaram alvos identificados durante missões de reconhecimentoREUTERS/Louafi Larbi A França lançou neste domingo (27) o primeiro ataque aéreo contra militantes do grupo autodenominado 'Estado Islâmico' na Síria. De acordo com o governo francês, caças do país atacaram alvos identificados durante missões de reconhecimento que haviam sido realizadas na véspera. Um breve comunicado divulgado pelo gabinete do presidente François Hollande informou que a França coordenou a operação com parceiros regionais. A França já havia realizado ataques contra alvos do 'Estado Islâmico', mas apenas no Iraque "Nosso país confirma o compromisso resoluto em lutar contra a ameaça terrorista representada pelo Daesh (uma das siglas pelas quais o 'EI' é conhecido)", afirmou a presidência francesa. "Vamos atacar a cada vez que nossa segurança nacional estiver ameaçada", acrescentou a nota. O presidente francês, François Hollande, anunciou no início deste mês que enviaria caças à Síria. Na ocasião, ele afirmou que ataques terroristas haviam sido planejados do país contra a França. Há mais de um ano, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos vem realizando ataques aéreos contra o 'EI' na Síria e no Iraque. Até então, França e Reino Unido limitavam-se a atacar alvos do grupo extremista no Iraque. No início deste mês, contudo, o governo do premiê David Cameron anunciou que havia realizado um ataque com drone contra cidadãos britânicos na Síria. Mais de 200 mil sírios já morreram desde o início do conflito no país, em 2011, quando rebeldes entraram em confronto com forças de segurança leais ao presidente Bashar al-Assad. Assad vem sendo acusado de provocado a morte de dezenas de milhares de seus próprios cidadãos ao bombardear indiscriminadamente áreas controladas pelos rebeldes. 'Crise humanitária' Cerca de 4 milhões de sírios já abandonaram o país, a maioria com destino aos países vizinhos, como Turquia, Líbano e Jordânia. Dali muitos tentam chegar à Europa. Devido ao influxo de centenas de milhares de pessoas, os países da União Europeia aprovaram um plano para distribuir 120 mil imigrantes e refugiados da Grécia e da Itália para outros Estados-membros do bloco econômico. A França se comprometeu a receber 24 mil pessoas nos próximos dois anos, mas foi criticada junto dos Estados Unidos e de alguns outros países da União Europeia. Segundo organizações de direitos humanos, a iniciativa não é "suficiente". Com a perspectiva de que mais de 1 milhão de pessoas ainda deixem a Síria, o Ocidente está concentrando os esforços para alcançar uma solução diplomática para o conflito. O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, junto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de Hollande, vinham pressionando pela renúncia de Assad como condição para um acordo de paz, mas a reivindicação perdeu força nesta semana. Assad é um aliado longevo do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Para assegurar o apoio russo na luta contra o 'EI', acredita-se que Cameron deva dizer em um encontro nas Nações Unidas que Assad deve permanecer temporariamente no poder durante um eventual governo de transição.