Turquia condena palavras de Vladimir Putin sobre 'genocídio' armênio

Putin qualificou de genocídio massacres de armênios ocorridos em 1915.

Turquia rejeita termo e diz que mortes ocorreram em conflito. Da AFP O presidente russo Vladimir Putin participa de cerimônia na Armênia nesta ao lado dos presidentes da Armênia, Serzh Sarkisian, do Chipre, Nicos Anastasiades, e da França, Francois Hollande (Foto: AFP PHOTO / ALAIN JOCARD) A Turquia condenou nesta sexta-feira (24) as palavras pronunciadas pelo presidente russo Vladimir Putin durante as cerimônias do centenário do episódio chamado por alguns países de genocídio armênio, em Yerevan, afirmando que nada pode "justificar massacres em massa". "Rejeitamos e condenamos a qualificação dos eventos de 1915 de genocídio pelo presidente russo, Vladimir Putin, apesar dos nossos avisos e chamadas", escreveu em um comunicado o Ministério turco das Relações Exteriores. Mais cedo, Putin caracterizou os massacres dos armênios como "genocídio": "Nada pode justificar massacres em massa. Hoje nos reunimos ao lado do povo armênio", disse. "Tais declarações políticas violam a lei e são consideradas nulas e sem efeito pela Turquia", lamentou Ancara. Em seu comunicado, o ministério também criticou a Rússia por suas "práticas desumanas contra os povos turcos e muçulmanos" ao longo da história, sem mais detalhes. "Nós acreditamos que a Rússia não poderia estar em melhor posição para saber o que é um 'genocídio' e o que abrange esta dimensão jurídica", insistiu. "A repetição desse erro por parte da Rússia não irá promover a paz e o bem-estar da nossa região", concluiu Ancara. Genocídio ou conflito? Há vários dias, a Turquia tem denunciado sistematicamente as declarações que qualificam de genocídio os massacres de centenas de milhares de armênios pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. O massacre dos armênios é reconhecido como genocídio por cerca de 20 países, incluindo Argentina, Uruguai, Alemanha, França, Suíça e Rússia. O Parlamento Europeu e a Sub-Comissão para a Prevenção da Discriminação e Proteção das Minorias da ONU também já o fizeram. A Turquia, no entanto, argumenta que não houve um plano de extermínio da população armênia e considera que se tratou de um conflito civil no qual morreram entre 300 mil e 500 mil armênios, mas que houve a mesma quantidade de vítimas turcas. Os Estados Unidos, por sua vez, evitam usar o termo genocídio. Em 2008, o candidato Barack Obama prometeu reconhecer o genocídio armênio, mas até agora nunca usou essa expressão.  O Brasil também não reconhece oficialmente o "genocídio". Em referências ao massacre, o governo se diz solidário às vítimas do que classifica como tragédia, mas não menciona a palavra genocídio. As autoridades islâmico-conservadoras turcas apresentaram mais uma vez nesta sexta-feira condolências às vítimas armênias de 1915, reconhecendo seu "sofrimento", mas sem reconhecer o caráter organizado e sistemático desses massacres.