Protocolo da FCF: futebol cearense só volta sem risco de coronavírus

A situação do esporte é trabalhada com cautela e envolve uma série de protocolos de proteção.

Arena Castelão vazia em Ceará x Sport, pela Copa do Nordeste - Camila LIma

Por Alexandre Mota 

Presidente da entidade, Mauro Carmélio, explica que trabalha com quatro planos de retorno do futebol, mas prefere não explicitar nenhum deles. Todos estão em análise e a Federação conversa com CBF e Secretaria da Saúde

Mauro Carmélio está definindo protocolo de retorno do futebol - JL Rosa

O futebol cearense não tem prazo de retorno em 2020. Com milhares de infectados pelo novo coronavírus e mais de cem mortes, a prioridade do Governo do Estado e da Federação Cearense de Futebol (FCF) é conter o número de casos, evitar a proliferação da Covid-19 e salvar o maior número de vidas possível. A situação do esporte então é trabalhada com cautela e envolve uma série de protocolos de proteção.

O tema é pauta de reuniões diárias entre membros da Federação, agentes da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e até da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mesmo diante da pressão para volta das atividades, há consenso de que o Ceará se aproxima do pico da doença e precisa redobrar os cuidados principalmente em locais de aglomeração.

Nas discussões, a FCF trabalha com quatro planos para a retomada do esporte. Todos com protocolos de saúde severos e que exigem cuidado aos participantes do evento. O projeto de segurança médica está em fase de análise e será divulgado após finalização da diretriz de execução.

"Só voltaremos quando os atletas e os funcionários da FCF não correrem risco de pegar o coronavírus. Por isso não temos como divulgar os planos, há um projeto médico dentro da situação para ver o que pode ser feito”, explica Mauro Carmélio.

A palavra de ordem então é responsabilidade. E o esporte, sim, funciona como um exemplo social. Na Itália e na Espanha, por exemplo, estudos apontam que partidas de futebol - como a realizada entre Atalanta e Valência, no dia 19 de fevereiro, em Milão - foram determinantes para disseminação do novo coronavírus em larga escala.

“O jogo foi uma bomba biológica. Naquela época, não sabíamos o que estava acontecendo. O 1º paciente na Itália surgiu em 23 de fevereiro. Se o vírus já estava em circulação, os 40 mil torcedores que foram ao (estádio) San Siro foram infectados. Ninguém sabia que o vírus estava circulando entre nós”, afirmou Giorgio Gori, prefeito da cidade italiana de Bérgamo.

Como até 80% dos infectados são assintomáticos, o esporte coletivo surge com potencial danoso. Muitas pessoas trabalham em uma partida de futebol, além dos 22 jogadores e da equipe de arbitragem. Do médico do clube ao segurança do estádio, o número pode chegar a até 200.

E não há diferença explícita entre um jogador e um cidadão comum. Neste caso, o histórico de atleta não o impede de ocupar um dos leitos de UTI das unidades de saúde do Estado, que estão com cerca de 90% das vagas preenchidas. Na batalha contra o agente invisível, o esporte ganha com cuidado. O futebol cearense tenta ser exemplo no Brasil.

Cenário nacional

Em comum acordo, os clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro estenderam as férias dos respectivos elencos por mais 10 dias, ou seja, não há treino até o fim deste mês de abril para Ceará e Fortaleza, por exemplo. No entanto, nenhuma federação fornece garantias de retorno das competições.

Para seguir o calendário ainda em 2020, a expectativa é que os eventos locais retornem antes dos nacionais - com cada instituição montando o próprio protocolo. Em entrevista à Rádio Jornal, o diretor de competições da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Murilo Falcão, destacou que CBF prepara também uma guia nacional de saúde.

“A CBF está fazendo um protocolo para a retomada dos campeonatos, começando pelos estaduais. E aí, devemos seguir o protocolo da CBF. Muito interessante também o protocolo que está sendo desenvolvido no Rio de Janeiro, onde a Federação adquiriu testes para todo o corpo diretivo dos clubes. É uma atitude muito simpática. Acredito que até o fim da semana vamos ter novidades sobre esse desenrolar dos fatos”, aponta.

Planos adiantados

Dentre as entidades, a carioca é uma das pioneiras em seguir com o futebol. Na última segunda (13), a Federação do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) montou o primeiro protocolo com aval de clubes, médicos e infectologistas.

Denominado “Jogo Seguro”, a proposta ainda será encaminhada às autoridades, mas requer medidas como descontaminação periódica de espaços ocupados pelos atletas. Estão previstos ainda testes para todos os jogadores participantes do Campeonato Carioca e também um número máximo de 30 pessoas trabalhando na partida.

Tudo é válido no momento da pandemia. Mas os jogos só retornarão após um acordo com o Ministério da Saúde. A determinação para suspensão das competições pela CBF ocorreu no dia 13 de março, acatando decisão da pasta do Governo Federal. E apesar do impacto financeiro de qualquer ação restritiva, a mensagem inicial é de que a saúde é prioridade.

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