Bia Maia se prepara para altos e baixos após surpreender Nadal no Rio

Bia Haddad Maia é apontada como uma das principais revelações do tênis nacional

Fernando Dantas/Gazeta Press Aos 18 anos, Bia Haddad Maia é apontada como uma das principais revelações do tênis nacional O desempenho da brasileira Beatriz Haddad Maia no WTA do Rio de Janeiro, na última semana, surpreendeu até o espanhol Rafael Nadal, que disputava um ATP 500 na mesma cidade. Dos vestiários do Jockey Club Brasileiro, ele acompanhou parte do duelo de quartas de final entre a paulista e a italiana Sara Errani, e se mostrou surpreso com o resultado. A brasileira chegou a ter três match-points, mas acabou derrotada depois de sofrer com fortes câimbras. Bia, de 18 anos, entrou na chave do WTA do Rio com um convite da organização e aproveitou a oportunidade. Na primeira rodada, derrotou a argentina María Irigoyen. Na sequência, a eslovena Polona Hercog, 77ª do mundo e jogadora mais bem ranqueada que superou na carreira. Depois da derrota para Errani, seu técnico Marcus Vinicius Barbosa foi abordado no vestiário por Rafael Nadal, que classificou o resultado como azar. “É difícil dizer que o desempenho no Rio não era esperado. No tênis em uma semana pode acontecer tudo. Você pode surpreender, como perder na primeira rodada. Aquilo foi resultado de todo o trabalho que faço. Fui acreditando ponto a ponto, game a game e resultou nas quartas de final”, explicou Bia. Considerada uma das principais promessas do tênis nacional nos últimos anos, a tenista paulista trabalhou por quase três anos com Larri Passos e desde agosto do ano passado é treinada por Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, também pupilo do ex-técnico de Gustavo Kuerten. Depois de passar por duas lesões graves, Bia começou a se recuperar no circuito a partir do segundo semestre de 2014, justamente quando passou a trabalhar com Bocão. A classificação às quartas de final no WTA do Rio de Janeiro foi o melhor resultado da carreira da paulista, mais acostumada a jogar torneios da ITF, com pontuação e premiação menores. “O jogo é na quadra . Você pode jogar contra a Errani ou uma menina de clube. Se não botar a bola do outro lado, perde. Foi assim que levei o torneio no Rio desde o começo e vou fazer com os outros. Não é porque lá era uma competição grande que vou mudar”, afirmou a brasileira. Ainda em evolução no circuito profissional, a tenista paulista sabe que enfrentará altos e baixos nos próximos anos. Nesta semana, por exemplo, foi eliminada na primeira rodada do ITF de Campinas, perdendo para a paraguaia Montserrat González, sua amiga e parceira no vice-campeonato da chave juvenil de duplas de Roland Garros em 2012. “O tênis é feito de semanas. Não é porque fui bem em uma, e poderia ter ido ainda melhor, que isso terá influência na outra. As meninas que jogam WTA também jogam ITF. É muito duro, ninguém desiste, tem que jogar até o último ponto. Aquilo passou, minha cabeça já está para a frente”, disse. A preparação para as oscilações no circuito é feita em quadra com Bocão e Felipe Reis. Fora, com a psicóloga Carla di Pierro, que também atende Thomaz Bellucci, melhor brasileiro no ranking da ATP. Com a rotina de viagens, a maioria das consultas é feita pela internet. Quando Bia joga torneios no Brasil, no entanto, Carla di Pierro acompanha de perto. A atleta também aproveita as passagens pela casa dos pais em São Paulo para se consultar pessoalmente com a psicóloga. “Olhamos o Rio desde o início como uma grande oportunidade de experimentar, aprender e identificar em que nível a Bia está. O jogo com a Errani nos mostrou que ela pode ir longe, mas que também precisamos desenvolver algumas capacidades psicológicas importantes que geralmente atletas experientes já têm”, explicou Carla di Pierro. André SenderCampinas (SP)