Ibovespa encosta nos 190 mil pontos e bate novo recorde após pesquisa eleitoral; dólar cai

Destaque fica com as ações de grandes exportadoras de commodities, como Petrobras e Vale, que subiram mais de 3%

Notas de dólar. — Foto: Murad Sezer/ Reuters

Bolsa chegou a superar os 190 mil pontos ao longo da sessão, mas encerrou aos 189.699 pontos, com alta de 2,03%. Enquanto isso, o dólar recuou 0,18%, cotado a R$ 5,1869 — no menor nível desde maio de 2024.

Por Redação g1 — São Paulo -11/02/2026 

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 2,03% nesta quarta-feira (11), aos 189.699 pontos, e atingiu o 11º recorde em 2026. Ao longo do dia, superou os 190 mil pontos pela primeira vez na história. Já o dólar fechou em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,1869 — no menor nível desde maio de 2024.

A disparada da bolsa e o recuo da moeda americana refletem o forte fluxo de investimento estrangeiro, à medida que gestores globais reorganizam suas carteiras e reforçam posições em mercados emergentes, como o brasileiro.

Nesse contexto, o destaque fica com as ações de grandes exportadoras de commodities, como Petrobras e Vale, que subiram mais de 3% na sessão e puxaram o Ibovespa. 

▶️ Nesta quarta-feira, notícias do Brasil ganharam maior peso sobre o humor dos investidores. Pesquisa eleitoral Quaest divulgada às 14h mostrou que a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno diminuiu para cinco pontos percentuais.

• 🔎 Nesse cenário, Lula aparece com 43%, contra 38% de Flávio. A distância era de sete pontos em janeiro e de dez em dezembro. Para o mercado, o resultado reforçou a percepção de maior competitividade eleitoral e de uma possível mudança de governo, elevando os ânimos em relação à condução futura das contas públicas.

▶️ Nos EUA, também foram divulgados dados relevantes. O relatório de emprego (payroll) mostrou a criação de 130 mil vagas em janeiro, bem acima da expectativa do mercado, de cerca de 70 mil. A taxa de desemprego caiu para 4,3%, enquanto os salários subiram 0,41% no mês e 3,71% em 12 meses.

Os números reforçam a leitura de uma economia ainda aquecida, o que tende a levar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a adiar o início dos cortes de juros.

• 🔎 Em geral, a perspectiva de juros altos por mais tempo costuma pressionar os mercados. Desta vez, porém, parte dos investidores concentrou as apostas no lado positivo dos dados — a força da atividade econômica —, que melhora as perspectivas de resultados de empresas e sustenta o apetite por risco, beneficiando também mercados emergentes.

▶️ De volta ao Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o atual ambiente de incertezas no país e no exterior reforça a necessidade de a instituição aguardar novos dados antes de iniciar a redução da taxa de juros — hoje em 15% ao ano. Ainda assim, o mercado segue projetando o início do ciclo de cortes em março.

▶️ Os investidores também avaliavam uma nova rodada de resultados corporativos. A TIM registrou lucro líquido de R$ 1,35 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 28% na comparação com o mesmo período de 2024 e acima das previsões do mercado. Papéis de Vale e Petrobras também se destacavam na sessão e ajudavam a sustentar a alta do Ibovespa.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

• Acumulado da semana: -0,64%;

• Acumulado do mês: -1,16%;

• Acumulado do ano: -5,50%.

📈Ibovespa

• Acumulado da semana: +3,69%;

• Acumulado do mês: +4,60%;

• Acumulado do ano: +17,73%.

Pesquisa Quaest

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) mostra que o presidente Lula (PT) continua à frente nos sete cenários de 2º turno testados com nomes da oposição, com vantagens que variam de cinco a 19 pontos.

A menor diferença é de cinco pontos, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece como o principal candidato da oposição.

"A pesquisa revela uma diminuição residual da vantagem de Lula para Flávio. A diferença era de sete pontos no mês passado e passou para cinco", afirma o diretor da Quaest, Felipe Nunes.

A pesquisa é a primeira da Quaest sem o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre os possíveis candidatos. Ele tem afirmado que tentará a reeleição.

Cenário Lula x Flávio:

• Lula: 43% (eram 45% em janeiro e 46% em dezembro);

• Flávio Bolsonaro: 38% (eram 38% em janeiro e 36% em dezembro);

• Indecisos: 2% (eram 2% em janeiro e 3% em dezembro);

• Branco/nulo/não vai votar: 17% (eram 15% em janeiro e dezembro).

Entre os eleitores que se consideram independentes, grupo que pode decidir a disputa, a vantagem de Lula sobre Flávio era de 16 pontos e agora é de cinco.

Em janeiro, o presidente tinha 37% nesse grupo, e o senador, 21%. Na pesquisa atual, Lula aparece com 31%, contra 26% de Flávio.

Agenda econômica

• Dados de emprego dos EUA

A economia norte-americana abriu 130 mil vagas fora do setor agrícola no mês passado, após a criação de 48 mil empregos em dezembro, segundo dados do relatório de emprego (payroll). O resultado ficou acima das expectativas do mercado, que previa cerca de 70 mil novas vagas.

A criação de vagas de trabalho nos EUA acelerou em janeiro, enquanto a taxa de desemprego caiu para 4,3%, ante 4,4% em dezembro. Parte do resultado acima do esperado está ligada a fatores sazonais nas contratações.

Setores como varejo e empresas de entrega contrataram menos temporários no fim do ano passado, o que reduziu o número de demissões em janeiro — período que costuma registrar mais cortes após as festas

Bolsas globais

Os mercados americanos fecharam em leve queda, com investidores repercutindo o relatório de emprego de janeiro dos EUA.

Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,13%, enquanto o S&P 500 teve leve queda de 0,01%. O Nasdaq, por sua vez, recuou 0,16%.

Na Europa, a maioria dos índices acionários fechou em baixa nesta quarta-feira, com investidores ainda preocupados com os impactos da inteligência artificial sobre diversos setores.

Ainda assim, o índice pan-europeu STOXX 600 conseguiu fechar em patamar recorde, com alta de 0,10%, aos 621,58 pontos, conforme ações ligadas a commodities compensaram as perdas do segmento de tecnologia.

Entre os demais indicadores, o alemão DAX recuou 0,53%, enquanto o CAC 40, na França, perdeu 0,18%. O FTSE 100, do Reino Unido, destoou do movimento e subiu 1,14%.

Na Ásia, o dia foi marcado por estabilidade na China, onde altas de empresas ligadas ao setor metalúrgico compensaram as quedas das companhias de semicondutores.

O mercado também reagiu ao anúncio do banco central chinês, que prometeu aumentar o apoio financeiro para estimular a demanda interna, em meio a preocupações com excesso de produção e consumo fraco.

No fechamento, Xangai registrou leve alta de 0,09%, aos 4.131 pontos, enquanto o CSI300 caiu 0,22%, para 4.713 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,31%, aos 27.266 pontos.

Seul subiu 1,00%, chegando a 5.354 pontos; Taiwan ganhou 1,61%, aos 33.605 pontos; e Cingapura teve alta de 0,41%, para 4.984 pontos. Já Tóquio não abriu nesta sessão.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/11/dolar-ibovespa.ghtml