Inflação acumulada de 7,7% em 12 meses é a maior em dez anos
A inflação do mês de fevereiro ficou em 1,22%.
Uma das maiores preocupações dos brasileiros é a conta de luz. Renata CapucciRio de Janeiro O IBGE divulgou a inflação do mês de fevereiro: 1,22%. O valor é maior do que os especialistas previam. No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 7,7%, índice que ultrapassa a meta do governo e é o maior em dez anos. O motorista não tem para onde fugir: todos os combustíveis ficaram mais caros. O preço da gasolina subiu 8,42% em fevereiro, resultado do aumento de tributos autorizado pelo governo. A gasolina, sozinha, foi responsável por um quarto da inflação no mês passado. O etanol (+7,19%) e o óleo diesel (+5,32%) também registraram altas. Quem usa o transporte público também está gastando mais. As passagens de ônibus, trens e metrô subiram. As famílias pagaram mais pela educação. Com os reajustes típicos dessa época do ano, as mensalidades de cursos regulares subiram 7%. O IPCA foi maior do que os economistas esperavam e ficou só dois décimos abaixo do registrado em janeiro. Os 7,7% acumulados em 12 meses estão acima do teto da meta do Governo, que é de 6,5%. Desde maio de 2005 o índice não era tão alto. Uma das maiores preocupações dos brasileiros esse ano é a conta de luz. Em fevereiro, o impacto na inflação não foi tão grande, mas março promete. O reajuste extra autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica para 58 concessionárias começou a valer na segunda-feira (2) e o efeito no bolso vai chegar no fim do mês. O fotógrafo Lucas Landau mora sozinha, tem só um aparelho de ar-condicionado e viu a conta de luz aumentar de R$ 92 para R$ 314. “Se vier R$ 350, R$ 450, se for aumentando tanto assim a conta, aí adeus ar-condicionado. Não dá...”, diz. “Qual é o grande problema da inflação esse ano? É que nesses três primeiros meses do ano, você vai ter uma inflação que vai chegar próxima da meta, de 4,5%. Então vai ser muito difícil nos outros meses do ano, mesmo que a inflação volte a um patamar razoável, de 0,45% em média do ano, você dificilmente vai ficar abaixo de 8% ao longo do ano e vai fechar o ano próximo de 8%”, explica o professor de economia da PUC-Rio, Luiz Roberto Cunha.




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