VARIAÇÃO NULA
Rio. As encomendas para as vendas de fim de ano não foram suficientes para tirar a indústria da estagnação nos últimos meses, contrariando um movimento sazonal captado pela Pesquisa Industrial Mensal Produção Física, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ontem. A demanda doméstica desaquecida e os estoques altos em atividades importantes explicam a produção industrial mais moderada, afirma André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.
"É claro que você tem redução na demanda doméstica. É um fator importante a ser considerado, seja pelos níveis de inadimplência em patamares elevados, pelo maior comprometimento da renda das famílias, maior restrição na concessão e encarecimento do crédito ou mercado de trabalho com comportamento mais moderado. A demanda doméstica vem caminhando numa velocidade menor", justificou Macedo.
Em outubro, conforme o IBGE, a produção industrial teve variação nula (0,0%). Com a demanda mais fraca, os estoques acumulados estariam dando conta das encomendas para o Natal. "Paralelo a isso, tem um nível de estoque para muitas atividades acima do seu padrão habitual. Há uma produção estocada que pode estar dando conta da demanda", disse.
Macedo afirmou ainda que, por causa da proximidade das festas de fim de ano, o aumento na produção costuma ser mais concentrado em bens intermediários em agosto. Já em setembro e outubro costuma haver avanço mais intenso na fabricação de bens finais.
Atividades
Segundo a pesquisa, 16 das 24 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE tiveram queda na produção na passagem de setembro para outubro deste ano. A principal queda foi observada na indústria farmacêutica (-9,7%), setor que havia apresentado alta no mês anterior (10,1%).
Com um recuo de 2,2%, os veículos automotores tiveram o segundo maior impacto negativo na indústria brasileira. Outras atividades com quedas importantes na produção foram minerais não metálicos (-2,1%), borracha e plástico (-1,7%), calçados (-3,2%) e fumo (-6,2%). Dois setores mantiveram-se estáveis, assim como a indústria geral: indústrias extrativas e produtos de metal. Seis atividades tiveram crescimento na produção, com destaque para produtos alimentícios (2,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,7%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (0,9%).
Recuperação em 2015
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acredita que o setor terá resultados negativos neste ano, depois de verificar um quadro de desaquecimento no resultado de outubro. "A indústria vai mostrar resultados negativos em 2014, precisamos saber qual a intensidade desse resultado. A recuperação vai ficar para 2015", afirmou o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. "Não vemos quadro mais favorável para setor. A consolidação de uma recuperação que poderia vir na esteira da melhoria do faturamento, que cresceu (3,1%) pelo 4º mês consecutivo, ela não se espalhou para atividade".




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