Elevar poupança para fazer País voltar a crescer

RETOMADA

Expectativa para investimento estrangeiro direto neste ano não alterou nas últimas quatro semanas, permanecendo em R$ 60 bilhões, valor que se repete para 2015, segundo aponta o Boletim Focus

As contas brasileiras não têm se mostrado favoráveis para que se possa, como se pretende, garantir e ampliar os programas sociais. O setor produtivo não tem avançado e isso reduz a arrecadação nacional. Neste ano, segundo a projeção do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), a previsão é de que o Produto Interno Brito (PIB) do País tenha um incremento de 0,27%, isto é, ficará estagnado. Como voltar a fazer o Brasil crescer, portanto, será o maior desafio a ser enfrentado pela presidente eleita Dilma Rousseff.

No quadriênio 2011-2014, o crescimento médio anual do País deve se situar em 1,6%. Conforme aponta o economista e professor da Unifor Ricardo Eleutério, a renda per capita registrará uma expansão média anual de apenas 0,7%.

"Mantido este comportamento, o Brasil levaria cerca de 100 anos, ou seja, um século para dobrar a atual renda per capita na casa dos US$ 11 mil. A sociedade brasileira não pode esperar tanto tempo assim. É possível crescer a uma taxa anual média de 4%", defende.

Para isso, o especialista analisa que o País precisa elevar sua taxa de poupança e de investimento para um patamar ao redor de 25% do PIB. "O esforço não será pequeno, na medida em que a poupança e o investimento estão variando entre 16% e 18% do PIB", explica.

Ser atraente para investidor

O economista e consultor Alcântara Macedo compartilha do posicionamento. "Crescimento necessita de poupança. A poupança pública brasileira é extremamente insuficiente para as necessidades de manutenção do crescimento e na construção do desenvolvimento", diz.

A solução, aponta, seria o Brasil buscar a poupança internacional. "Como? Tornando-se atraente ao investidor. O que não tem nada a ver com ideologia e, sim, com o compromisso de construção de uma sociedade desenvolvida", defende.

O mercado vem se apresentando não tão otimista em relação à reeleição da presidenta, e isso se evidenciou com a queda na Bovespa e disparada do dólar no dia seguinte às eleições. Mesmo assim, a expectativa para investimento estrangeiro direto neste ano no Brasil não alterou desde as últimas quatro semanas, permanecendo em R$ 60 bilhões, valor que se repete para 2015, segundo aponta o Boletim Focus, do Banco Central. O montante, contudo, vem caindo ao longo dos anos.

Confiança do mercado

"Primeiro, é necessário restabelecer a confiança do mercado para que o setor privado volte a investir e, para que isso aconteça, o governo deverá sinalizar na política econômica quais serão sua prioridades para as políticas fiscal, monetária e do setor externo, acrescidas das mudanças estruturais por meio de reformas de longo prazo", defende o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Henrique Marinho.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's afirmou na última semana, em comunicado à imprensa, que as políticas do próximo governo vão determinar a trajetória dos ratings do Brasil, isto é, definirão se ele manterá sua posição de grau de investimento.

"Poderemos elevar os ratings se o governo buscar iniciativas políticas mais consistentes para fortalecer as contas fiscais, ou uma agenda de reformas mais proativa para melhorar a perspectiva de crescimento do País no médio prazo. Isso provavelmente vai gerar maior confiança no setor privado e mais investimentos, e permitir maior flexibilidade fiscal e monetária ao governo. Por outro lado, poderemos rebaixar os ratings na eventualidade de uma deterioração agora nos indicadores externos e fiscais do Brasil, ao lado de um abandono do compromisso do Brasil com políticas econômicas pragmáticas", afirma o texto publicado pela agência.

Cenário externo difícil

A tarefa que recai sobre a presidenta, contudo, não é nada fácil, posto que o cenário externo não está se mostrando favorável, com a China, principal parceiro comercial, desacelerando seu crescimento e com a Europa ainda estagnada.

Ainda diante das dificuldades apontadas pela conjuntura internacional, o consultor Alcântara Macedo não é pessimista.

"Estou nos Estados Unidos, os investidores me perguntam: 'como será?' Respondo: 'a geopolítica brasileira é mais atraente do que os governos. Somos a melhor opção de investimento da América Latina'". (SS)