Terceiro aeroporto de SP será totalmente privado, diz ministro

Concessão não é melhor alternativa para Congonhas e Santos Dumont, diz.

O ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, afirmou nesta segunda-feira (28) que o terceiro aeroporto a ser construído a região metropolitana de São Paulo será totalmente privado.

A declaração do ministro foi feita durante encontro do Lide – Grupo de Líderes Empresariais, em São Paulo, após Moreira Franco ter sido questionado sobre a necessidade de participação de 49% da Infraero nos aeroportos concedidos à iniciativa privada e a possibilidade de um percentual menor nas futuras concessões.

“Já até avançamos. O aeroporto [a ser autorizado em São Paulp] é totalmente privado. O que significa que os critérios adotados já não serão necessariamente os mesmo", afirmou o ministro sobre o novo projeto em discussão para São Paulo. “Os critérios não serão necessariamente os mesmos”, acrescentou. "Já há vontade expressa pela presodente Dilma de autorizar um aeroporto totalmente privado. Esse problema nem se coloca", completou.

Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff anunciou a intenção de conceder a autorização para mais um aeroporto em São Paulo. A região metropolitana de São Paulo tem hoje dois aeroportos – o de Congonhas, na capital, e o de Cumbica, em Guarulhos.

Segundo Moreira Franco, o assunto está sendo discutido pela Casa Civil e não há previsão de quando será lançado oficialmente o projeto aos investidores. Pelo projeto em discussão, o aeroporto ficará no município de Caieiras, a 35 quilômetros da capital paulista.

Ele defendeu, no entanto, a necessidade de critérios que garantam uma concorrência isonômica com os outros aeroportos de São Paulo, de forma a garantir eventuais perdas de voos em função da maior concorrência.

Sem previsão de novas concessões
Com relação, ao lançamento de novas concessões de aeroportos, o ministro afirmou que a prioridade no momento é o desenvolvimento da aviação regional e que será necessário antes também encontrar uma alternativa para Infraero, de forma que a estatal tenha condições de competir com igualdade com os outros concessionários.

Para ele, a concessão à iniciativa privada não é a melhor alternativa para aeroportos como Congonhas e Santos Dumont, no Rio, que já estariam “extremamente saturados”.

“Temos que pensar em acompanhar o mercado que cresce, criando novos espaços fora dos centros urbanos”, afirmou.

Moreira Francou voltou a defender, porém, que em futuras concessões a participação da Infraero seja inferior a 49%. "Já temos massa crítica para percorrer novos caminhos e altenativas de convivência com o capital privado", disse.

'Imagine nas Olimpíadas'
O ministro comemorou o recorde de passageiros durante a Copa do Mundo e afirmou que a experiência com o evento permitiu criar um novo patamar de referência de qualidade nos aeroportos do país.

"Um pouco antes da Copa eu fui vítima de bullying. Por onde aonde eu andava as pessoas diziam: 'Imagine na na Copa'", lembrou. "Se eu fosse soberbo, gostaria de me sentir seguro para dizer: 'Se foi tão bom assim agora, imagine nas Olimpíadas", afirmou, comemorando o índice médio de 6,94% de voos com mais de 30 minutos de atraso. Segundo ele, o percentual fioi mais baixo que a média de 2013 da União Europeia.

Segundo Moreira Franco, a prioridade do ministério neste segundo semestre é implementar o programa de desenvolvimento de aeroportos regionais, que prevê a ampliação e modernização de 270 instalaçoes. O objetivo do governo é chegar a um aeroporto a cada 100 km de distância.

Dilma acaba de encaminhar ao Congresso uma medida provisória que institui subsídios para voos regionais. Segundo o ministro, a ideia é conseguir um orçamento de cerca de R$ 1 bilhão no primeiro ano do programa.

Darlan AlvarengaDo G1, em São Paulo