Presença de crianças em festas é investigada

No último domingo (3), uma destas festas foi encerrada com a chegada da Polícia

[caption id="attachment_126639" align="alignright" width="200"]08 de marco de 2016 coletiva de imprensa apreensao de entorpecentes e menos na DECECA delegada ivana timbo  - policia - 05pl0777  -  JORGE ALVES  A delegada Ivana Timbó disse que a Polícia Civil vai continuar a coibir a realização desse tipo de festa com participação de crianças e adolescentes Foto:JorgeAlves[/caption] Vender, fornecer, servir ou entregar bebida alcoólica para menores de 18 anos é crime. A informação está nos rótulos dos produtos. Entretanto, um fato que parece ter tornado-se rotina em Fortaleza é o comércio deste tipo de item para crianças e adolescentes. O mercado, neste caso, são festas e eventos realizados nos bairros da Capital. No último domingo (3), uma destas festas foi encerrada com a chegada da Polícia, resultando na prisão dos dois organizadores. De acordo com a delegada titular da Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), Ivana Timbó, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) vem no encalço destes eventos há pelo menos um mês. Na última ação, conforme a investigadora, muitas bebidas alcoólicas, entre cerveja, vodka, champagne, whisky, energético, além de cigarros, foram apreendidos. Segundo a delegada, na festa "Social Prime", mulheres entravam de graça e homens pagavam R$ 10. No evento, o consumo de produtos destinados a maiores de 18 anos era liberado para crianças. "Foi apreendida muita bebida, cigarro. Era bebida vendida pela própria festa. Encontramos uma menina desmaiada, que foi encaminhada ao hospital e não pôde ser ouvida durante o flagrante. Depois de todo o levantamento, autuamos os organizadores da festa", disse. De acordo com a Polícia, pelo menos três adolescentes teriam passado mal após a ingestão de produtos proibidos durante o evento. A festa começou ainda na tarde de domingo, sendo encerrada com a chegada da Polícia, durante a noite. Para a delegada, chamou a atenção a quantidade de pessoas e as idades dos frequentadores. "Deviam ter uns 500 adolescentes. Era muita gente. E as idades dos jovens iam de 12 a 16 anos. Tinha mesa de alguns desses meninos, na faixa de 14 anos, com três garrafas de vodka", afirmou Ivana Timbó. Conforme a Polícia, a casa usada para a festa, localizada na Rua Mirtil Meyer, foi alugada pelos dois autuados por R$ 2.500 apenas para o evento, que conforme os organizadores, celebrava o aniversário de um deles. A presidente do inquérito ressaltou que este tipo de festa, destinado principalmente a crianças e adolescentes e com a venda deliberada de bebidas alcoólicas, está na mira da Polícia. "Imagine o prejuízo que esses meninos terão se não houver uma coibição da nossa parte para não deixar que essas festas prosperem? E esse é o nosso propósito, não deixá-las prosperar. Por isso, quem estiver organizando (festas similares), trate logo de desorganizar, pois nós vamos estar presentes. A pena para esse crime é de dois a quatro anos de prisão", disse. A dupla presa, que não teve a identidade revelada, foi autuada no artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por fornecer bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes. Orgia No começo do mês de março, a Dececa havia fechado outra festa. Naquela ocasião, a investida ocorreu na Barra do Ceará. O evento, intitulado "Orgia Fest", de acordo com a Polícia, promovia a distribuição de substâncias ilegais para crianças e adolescentes. À época, foram apreendidos bebidas alcoólicas, maconha, 22 tubos de spray, dinheiro e preservativos. "O inquérito está quase finalizado e os organizadores dessa festa serão indiciados".