Greve dos peritos causa transtornos em Fortaleza
Paralisação dos médicos peritos do INSS completa 58 dias. Algumas consultas chegam a ser remarcadas para março de 2016. Usuários ficam horas em filas e em algumas unidades não há atendimento
MAURI MELO Fila de espera na sede do INSS: foram cerca de 500 mil perícias não realizadas desde o início da greve, em agosto, no País Com 58 dias em greve, a paralisação dos médicos peritos do INSS continua gerando transtornos aos usuários que precisam realizar perícias para dar entrada recebimento de auxílio-doença, aposentadorias por invalidez, ou retorno antecipado ao trabalho. É o caso da professora Maria da Glória. Moradora de Paracuru, diz ser a segunda vez que procura a unidade do INSS na Messejana. “Estou aqui desde 6h para dar entrada no auxílio-doença. Vejo que é um descaso muito grande com as pessoas. Mesmo assim, espero ser atendida hoje”, acredita. O POVO percorreu agências da Previdência Social em Fortaleza. Na Messejana, apenas uma médica realizava procedimentos. “Ela permanece seis horas e sai. Ontem não apareceu”, disse uma pessoa ligada à agência que não quis se identificar. Na unidade do Centro de Fortaleza, na rua Princesa Isabel, não havia profissional para realizar consulta. Na agência da rua Pedro Pereira, sede do INSS no Ceará, haviam dois médicos peritos. A orientação é a de que quem não conseguiu atendimento deve remarcar a consulta para outra data. Alguns procedimentos chegaram a ser realocados para março. Dependendo da disponibilidade, a remarcação segue para outra agência em outro bairro. A instituição garante que segue uma lista de prioridades, sendo a ordem composta pela perícia inicial de auxílio-doença, retorno antecipado ao trabalho e, por fim, demais consultas. Segundo o INSS, a capacidade de realização de perícias foi reduzida do País. A média mensal de 600 mil atendimentos caiu para 300 mil. O INSS informa não ter o número de atendimentos reduzidos no Ceará. O órgão destaca que algumas medidas para não prejudicar o público foram adotadas em decorrência do movimento. Para evitar prejuízo financeiro, o INSS considera para a concessão dos benefícios data agendada como período de entrada do requerimento da perícia. O médico perito Noberto Wilson das Chagas, delegado da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP) no Ceará, afirma que a categoria mantém 30% do efetivo em atendimentos. “O Governo começou a negociar, quase com 58 dias de greve”, afirma. Atualmente o Ceará conta com 156 médicos peritos. A estimativa é que a greve tenha encerramento em meados de novembro. A ANMP reivindica a realização de concursos públicos, redução da carga horária de 44 horas semanais para 30 horas e incorporação da gratificação ao vencimento básico no salário. Orientação sobre benefícios Os segurados que agendaram perícia médica em uma agência da Previdência Social (APS) devem ligar para o número 135 e consultar a situação do atendimento na unidade. Quem não for atendido em razão da paralisação dos servidores peritos médicos terá a data de atendimento remarcada. O segurado poderá confirmar a nova data também por meio do número de telefone 135. Para evitar prejuízo financeiro, o INSS considera para a concessão do benefício (auxílio-doença) a data agendada como período de entrada do requerimento da perícia.




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