Grupo vai entregar assinaturas em Brasília
No Ceará, entidades colaboraram com a coleta de assinaturas. O balanço vai ser entregue ao Congresso no dia 20
A Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará é uma das entidades que estão à frente da coleta de assinatura pela reforma política FOTO: JL ROSA PROJETO DE REFORMA POLÍTICA Os representantes cearenses na Coalizão pela Reforma Política Democrática afirmaram que o envio das assinaturas para Brasília deve ocorrer até hoje para, no dia 20 de maio, ser entregue à Câmara dos Deputados o projeto com propostas de mudança do sistema político brasileiro. Apesar de ainda não haver informação oficial sobre as assinaturas já garantidas, a meta das entidades mobilizadas é alcançar o apoio de 1,5 milhão de eleitores. Membro cearense da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o padre Ermanno Allegri ressaltou que, no próximo dia 20, em Brasília, as entidades se organizarão em um ato para entregar o projeto de reforma política ao Congresso e pressioná-lo a aprovar a proposta. O projeto estabelece quatro pontos principais: a eleição proporcional para deputados e vereadores em dois turnos; a democracia direta com plebiscito, referendo e iniciativa popular; paridade de gênero na lista eleitoral; e fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas. Meta Ermanno Allegri afirmou que o movimento não tem sofrido com a falta de interesse da população em apoiar o projeto e revelou que a expectativa do movimento é até ultrapassar a meta estipulada inicialmente. "Acreditamos que passamos da meta, porque certos estados se organizaram muito mais do que a gente. Também fizemos coleta no Interior. Não nos concentramos somente na Capital", destacou. Apesar de reconhecer que, na coleta das assinaturas, houve resistência de alguns eleitores que mostraram ceticismo quanto à possibilidade real de avanço do projeto, Ermanno Allegri assegurou que a maioria compreendeu a importância do movimento "Encontrei pessoas céticas, mas a maioria assinava não só para fazer um favor. A maioria assinava por acreditar na importância do projeto", salientou. O secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), Jardson Cruz, esclarece que o número aproximado de assinaturas coletadas no Estado é desconhecido ao justificar que diferentes grupos participaram do movimento e cada um encaminhou as listas dos eleitores que apoiaram o projeto diretamente à sede da Secretaria Nacional da Coalizão, em Brasília. "Como são mais de 100 entidades, não houve uma concentração para saber quantas assinaturas foram coletadas somente no Ceará", explicou. A Secretaria Nacional da Coalizão informou que ainda espera que alguns grupos enviem a lista das assinaturas e só divulgará o balanço após essa semana. Jardson Cruz avaliou que o movimento conquistou boa adesão. "Obviamente que falta uma participação maior da própria mídia em nível nacional. O problema é a urgência que isso requer, mas vejo que é um movimento vitorioso. Nós temos ido a colégios, faculdades, arquidioceses e vemos a empolgação da sociedade", acrescentou. Entre as assinaturas coletadas, o movimento conseguiu reunir apoio de alguns parlamentares. Na lista disponível no site da Coalizão, nota-se que a maioria dos que assinaram no Ceará não exerce mais mandato, como ex-deputados federais Ariosto Holanda (PROS), João Ananias (PCdoB), Eudes Xavier (PT) e Edson Silva (PROS). Os parlamentares Chico Lopes (PCdoB) e André Figueiredo (PDT) também estão na relação. Pressão popular Cientistas políticos alertam que grande parte da sociedade brasileira ainda desconhece o debate sobre a reforma política, prejudicando o êxito de mobilizações populares sobre tema. Horácio Frota, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), avalia que o Congresso Nacional só irá garantir a reforma política desejada pela sociedade se houver pressão popular. "Acho que o tema da reforma é muito abstrato. Precisaria passa por um processo de discussão maior para que as pessoas entendessem a relação entre a reforma política e o cotidiano delas", analisa. Segundo o professor, além do desconhecimento, outro agravante é a descrença da sociedade com mobilizações. "Por que o Congresso não puxa uma iniciativa popular? Por que ele não abre as discussões para que a sociedade também participe", destacou. A professora de Ciência Política Carla Michele Quaresma lembrou que, historicamente, a sociedade brasileira quase sempre foi espectadora e desinteressada em participar do processo de debate político. "Ainda tem o problema de uma sociedade que se mantém muito afastada da política", reforça. Ele apontou o desencantamento da sociedade com os resultados gerados por mobilizações populares como outra razão para as dificuldades de se garantir a adesão da sociedade à discussão da reforma política. Alan Barros Repórter




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