Produção de tilápia está em alta no Castanhão

O Parque Aquícola de Jaguaribara é o maior do Estado, onde estão concentrados 677 produtores

Com 22.84% da sua capacidade, o Castanhão ainda tem muita água

FOTOS: ELLEN FREITAS
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Muitos produtores, por conta da situação precária de outros açudes, que estão impróprios atualmente para a piscicultura, resolveram migrar para o Castanhão, o que aumentou a produção do pescado
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A restauração da via era uma reivindicação dos piscicultores, que enfrentavam dificuldades para levar os insumos ao Parque Aquícola
MIGRAÇÃO Jaguaribara. Mesmo com as dificuldades em decorrência do baixo nível do Açude Castanhão, que atualmente está com 22.84% da sua capacidade de armazenamento, a produção de tilápia fechou o ano de 2014 com o volume de 12.9 mil toneladas, um aumento te 6,4% em comparação com a produção de 2013, que foi de 12.1 mil toneladas. Um dos motivos desse aumento, segundo a Secretaria de Pesca de Jaguaribara, se dá em decorrência da imigração de piscicultores de outros açudes que não se encontram em condições para manter a produção. Os dados são do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), que gerencia a Barragem do Castanhão. O órgão considera uma produção "razoável" diante do atual momento que vive o Açude: menor nível de toda a sua história, o que contribui para um aumento da poluição, bem como a proliferação de algas, o que afeta diretamente a oxigenação no entorno dos tanques-rede; e o decorrente aumento de produtores no Parque Aquícola. Mesmo assim, só o número da produção de tilápia em tanques-rede, uma das principais modalidades da atividade piscicultora, apresentou em 2014 um avanço de 14,5%, em comparação com 2013, quando a produção foi de 12.1 mil toneladas, enquanto em 2012 fechou o ano com 5.7 mil toneladas. Já com relação à pesca extrativa (de redes e anzol), houve um recuo 53,2% nas produções de 2014 em comparação com 2013. O volume de pescado ano passado chegou 0.68 mil toneladas enquanto que em 2013 a produção foi de 1.45 mil toneladas de tilápia. O Dnocs observa que o baixo nível do açude afeta diretamente a pesca extrativa, enquanto a produção de tilápia em tanques-rede aumenta a cada ano. O Castanhão foi dividido em três parques aquícolas para a exploração da atividade pesqueira, que envolve os municípios de Jaguaribara, Alto Santo, Jaguaribe e Jaguaretama, sendo que estes dois últimos compõem um único parque aquícola. Maior Ao todo, são 857 lotes, que foram entregues aos produtores por meio de um processo de licitação. O Parque Aquícola de Jaguaribara é o maior deles, onde estão concentrados 677 produtores que possuem concessão de uso. Já os parques aquícolas de Alto Santo e Jaguaribe/Jaguaretama possuem 220 e 125 concessionários, respectivamente. De acordo com a secretária executiva de Pesca e Aquicultura de Jaguaribara, Eva Parente, desde o ano passado houve um aumento de piscicultores vindos de outros açudes que se encontram com a situação crítica. "Por conta dessa falta de chuva e de recarga nos açudes de outras regiões do Estado, esses piscicultores acabam vindo se socorrer aqui. Não temos o número de quantos estão atuando. Muitos exercem a atividade na concessão de outros permissionários que não estão produzindo. Buscamos uma parceria com o Ministério da Pesca e a Secretaria de Pesca e Aquicultura do Estado para fazermos esse levantamento", ressaltou. Eva Parente ressalta que a situação é preocupante, diante da orientação que é dada aos piscicultores, de que eles diminuam a quantidade de gaiolas no açude, evitando, assim, que haja grande mortandade, como aconteceu ano passado, quando um grupo de piscicultores perdeu dez toneladas de tilápia durante a noite, devido a problemas de falta de oxigenação. "Alguns piscicultores estão deixando o Castanhão em busca de reservatórios em condições melhores. Dois produtores de Jaguaribara levaram gaiolas para açudes em Pernambuco e Maranhão", explica. Atividades O titular da Secretaria de Pesca de Jaguaribara, André Siqueira, ressalta que o Município realiza diversas atividades voltadas ao apoio da piscicultura. Também é feito um atendimento aos piscicultores, dando suporte ao Ministério da Pesca e Aquicultura, nas solicitações de Licença Inicial de Aquicultor, Renovação de Licença de Aquicultor, dentre outros requerimentos ao Ministério da Pesca e Aquicultura. Estrada precisa ficar pronta Jaguaribara. Diante da dificuldade de acesso por terra ao Parque Aquícola deste município, estão sendo recuperados 17 quilômetros de estradas, que são utilizadas para o escoamento da produção de tilápia, bem como a chegada dos insumos aos piscicultores. A obra, financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e executada pelo Departamento Estadual de Rodovias (DER) em parceria com a Prefeitura, está orçada em R$ 790 mil. A restauração da via era uma reivindicação dos piscicultores, que enfrentavam dificuldades para levar os insumos ao Parque Aquícola. As estradas de terra eram estreitas e esburacadas e o acesso era difícil, principalmente durante períodos chuvosos. No fim do mês passado as obras foram iniciadas. Estão sendo feitos serviços de terraplanagem, pavimentação primária e drenagem. A obra, que compreende três etapas, passará pelas localidades de Lages, Jaburu e Curupati, sendo as principais rotas da piscicultura. A extensão total é de 17,731 quilômetros e possui um prazo de 270 dias para sua conclusão. Além desta, o município vem tentando requerer do governo do Estado, por meio da Secretaria de Pesca e Aquicultura (SPA) a pavimentação asfáltica da CE-273, que interliga a BR-166 à Península do Curupati, onde há os assentamentos Curupati Peixe e Curupati Irrigação, responsáveis pela produção de tilápia e frutas na região. A estrada, com um percurso de 19 quilômetros, ainda é carroçável, o que prejudica o fluxo de caminhões para o escoamento da produção. Os assentamentos foram construídos junto com a barragem do Castanhão e a estrada asfaltada é aguardada pelos moradores desde então. De acordo com dados da Associação Comunitária do Curupati Irrigação, a produção mensal da fruticultura irrigada gira em torno de 180 toneladas. Já a Associação Comunitária do Curupati Peixe informou que a produção de peixe in natura é de 80 toneladas, enquanto a de insumos (ração para peixe) é de 125 toneladas. "Pela importância econômica que esses dois assentamentos têm para Jaguaribara e para o Estado, é imprescindível que a rodovia tenha condições de facilitar o fluxo de veículos", ressaltou o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Aquicultura e Pesca (Sedeta) de Jaguaribara, André Siqueira. Ele acrescenta, ainda, que a produção pode triplicar, já que o acesso de produtos e escoamento da produção poderá ser melhorado com as obras. "Fizemos um relatório com a produção e potencialidades da região do Curupati e apresentamos para o Governo do Estado, bem como apresentamos junto à SPA e tivemos um retorno positivo. Foi assegurado que a obra da CE-273 será incluída no Projeto Ceará III. Agora é só aguardar quando o projeto será executado", acrescentou Siqueira. A Península do Curupati, bem como diversas comunidades de Jaguaribara, têm crescido seu potencial turístico, principalmente para a pesca esportiva e a prática de atividades ao ar livre, como trilhas. Nos arredores da Cidade também é possível ter acesso a sítios arqueológicos, além da Barragem do Castanhão, que é parada obrigatória para visitantes. Ellen Freitas Colaboradora