CE Mãe de usuário de crack ateia fogo em barracos

LAGAMAR

Em meio à dificuldade de lidar com o filho usuário de crack, uma mãe ateou fogo em pelo menos oito barracos na comunidade do Lagamar, bairro São João do Tauape. O objetivo era chamar atenção para a problemática das drogas nas comunidades carentes.

O fato aconteceu nas proximidades do trilho do Lagamar. Na última segunda-feira (20), por volta das 23h, o Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar o fogo. A mulher, de nome não divulgado, havia se desesperado depois que o filho vendeu os poucos objetos de casa para comprar crack.

Cerca de dez barracos, construídos com tábuas e papelões, serviam como abrigo para usuários de entorpecentes. Não se sabe ainda quem são os responsáveis pela construção das estruturas, mas a ocupação seria rotativa, segundo informações de pessoas que frequentam a área.

O capitão Freitas, do Corpo de Bombeiros, disse que o trabalho para apagar as chamas e de resfriamento durou em torno de uma hora e meia, mas a perda foi total. A guarnição evitou que o fogo passasse para as residências vizinhas. As pessoas das casas próximas foram deslocadas por precaução. A área ficou sem energia devido a um curto-circuito gerado pelo fogo, que atingiu um poste. Anteriormente, os barracos já haviam sido destruídos pelo mesmo motivo: a indignação de familiares de dependentes químicos.

Na Coordenadoria de Políticas sobre Drogas (CPDrogas)do Município, todos os dias, chegam cerca de 30 pessoas, entre usuários, familiares e amigos em busca de ajuda. A coordenadora adjunta do CPDrogas, Evelyne Bastos, explica que o órgão possui uma equipe de abordagem de rua e faz trabalho com os dependentes, mas ressalta que não podem forçar uma internação. "Usamos uma estratégia de aproximação que cria um vínculo para que essa pessoa minimize o uso e os riscos", comenta.

Se o dependente químico se colocar em risco, ou colocar alguma pessoa em situação de perigo, o CPDrogas orienta que entrem em contato com a Coordenadoria Integrada de Segurança (Ciops). "Se ele apresentar uma situação de crise de abstinência, pode ser feita uma intervenção".

As pessoas que necessitam de tratamento são enviadas a unidades de internamento apenas quando colocam em risco a própria vida ou a de outras pessoas. "Se ele conseguir se controlar, enviamos para o Caps (Centro de Atendimento Psicosocial), mas se ele está com fragilidade nos vínculos sociais, enviamos para alguma organização não-governamental", destaca. Em Fortaleza, existem seis Caps. A rede de apoio funciona 24 horas.

Internação

A presidente da Comissão de Políticas Públicas sobre Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rossana Brasil Kopf, explicou que a internação compulsória é prevista na Lei Federal 10.216/2001.

"Quem necessita de uma internação compulsória deve procurar um promotor de Justiça ou um juiz. Em casos extremos, não é necessária nem a autorização familiar. A internação é determinada pelo juiz depois de um pedido formal feito por um médico, em que é atestado que essa pessoa não possui condições psicológicas", diz.

Mais informações

Centro Integrado de Referência sobre Drogas 0800.032.1472
Ciops: 190

Jéssika Sisnando
Especial para Cidade