Festa de São Francisco das Chagas termina com a bênção dos chapéus

CANINDÉ

Peregrinos vindos dos mais diversos pontos do País se despediram, ao meio-dia desta segunda-feira (20), do maior Santuário Franciscano das Américas na busca da cura e da fé. Todos os anos, em Canindé, as mesmas lembranças se repetem e se renovam.

A multidão avançando em direção ao templo, o coro de milhares de fiéis fazendo referências e rezas em forma de cânticos, a união das famílias para aproveitar a passagem do cortejo pelo corredor religioso para pedir graças.

Para a Igreja Católica, a festa de São Francisco das Chagas de Canindé terminou oficialmente com a tradicional bênção dos chapéus, uma doação da direção do Colégio Menino Jesus e o arriamento da bandeira do santo, que permaneceu hasteada por 11 dias.

Este ano, o casal Romeu e Joane Laurênio de Oliveira entregou aos participantes da Santa Missa Campal 5 mil chapéus para proteger a mente e a fé do romeiro. "Começamos com 500 e, no oitavo ano, já conseguimos essa média. Por conta da seca e a dificuldade para se encontrar palha de carnaúba, o número ficou reduzido", contou Romeu Rocha.

Segundo Joane Laurênio, a ideia surgiu depois de se pensar em uma forma de proteger o devoto devido ao horário de meio-dia, com sol a pino. "O chapéu dá uma maior proteção. É uma homenagem à carnaúba, o símbolo vivo do Ceará", comentou a educadora.

O Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Canindé, Paulo Magalhães Filho, também distribuiu 2 mil chapéus no último domingo (19). Após a bênção, uma multidão seguiu pelas ruas da cidade, levando a bandeira de São Francisco.

Comerciantes, romeiros e fiéis na Praça da Basílica jogaram dinheiro dentro do pano sagrado, pedindo um ano vindouro de inverno e de bons negócios. Os que tocaram a bandeira não se contiveram e foram às lágrimas.

O choro, a fé, devoção, aclamação e o misticismo formam o leque da força que o romeiro deposita em São Francisco: o médico, o juiz, o advogado, o Presidente da República, o governador e o prefeito dos pobres.

Na opinião do pároco e reitor do Santuário de Santo Antônio do Brasil, frei João Amilton dos Santos, os romeiros chegam para pedir ao protetor da natureza o que não conseguem com as autoridades.

Três momentos de emoção

O franciscano disse que a romaria de Canindé tem três momentos emocionantes. Primeiro, na madrugada da abertura, quando é celebrada a missa com a presença de todos os padres que participam dos festejos e o hasteamento da bandeira de São Francisco.

O segundo, no dia dedicado ao santo, quando a imagem de São Francisquinho saiu pelas ruas arrastando multidões e, por último, com a bênção dos chapéus e o arriamento da bandeira.

Em cada cântico, a saudade marcante para quem permaneceu por 11 dias em retiro espiritual. Prova de fé dos peregrinos, que percorreram igrejas e locais considerados sagrados na terra os milagres, em pleno sertão.

Na despedida, frei Amilton não esqueceu as bênçãos que foram direcionadas aos ônibus, carros, caminhões e motos. "Que voltem em melhores condições para casa e na certeza do compromisso firmado com São Francisco", enfatizou o pároco e reitor do santuário, que incluiu em sua oração os pés dos católicos devotos.

Antônio Carlos