Ceará representa o Brasil no banco de dados da PMA

FRUTICULTURA

Anaheim (Califórnia). Organização que congrega produtores de frutas, verduras e legumes de várias nacionalidades, a Produce Marketing Association (PMA), com sede nos EUA, criou um banco de dados sobre as necessidades mais urgentes das chamadas "culturas de suporte fitossanitário insuficiente", que, em inglês, estão resumidas na expressão "minocrops".

O empresário cearense Tom Prado, sócio e diretor da Itaueira Agropecuária, com sede em Fortaleza e campos de produção no Piauí, no Ceará e na Bahia, é quem representa o Brasil no grupo, que já organiza esse banco de dados. Os EUA e o Canadá integram também o grupo.

Ontem, nesta cidade do Oeste dos EUA, onde nasceu e cresceu a Disneylândia e onde se realiza a PMA Fresh Summit - maior feira de frutas das Américas - Tom Prado disse ao Diário do Nordeste, que o objetivo desse esforço da PMA é - quando estiver de posse de todas as informações que estão sendo armazenadas - pressionar a indústria produtora de defensivos agrícolas a promover estudos e pesquisas para o desenvolvimento de novas moléculas, específicas para as "minocrops".

Fabricantes norte-americanos e canadenses já concluíram pesquisas que levaram à criação de novos produtos para o combate às pragas e doenças de diferentes tipos de frutas e hortaliças. O que falta, agora, é registrar cada um deles nos organismos competentes (como a Anvisa, no Brasil). Para esse registro, que custa caro, os fabricantes necessitam do manifesto interesse de ao menos três países produtores. Essa união garantirá o retorno do investimento e a produção em escala continuada dos defensivos.

Agrotóxicos

De acordo com Tom Prado, há demanda hoje, por novos defensivos - que podem ser chamados de agrotóxicos. No Brasil, faltam defensivos específicos para o combate às pragas e doenças que atacam as culturas de quiabo, tomate, pimentão, melão, manga e a banana, por exemplos. Por isso, a saída dos produtores tem sido - como no Brasil e nos Estados Unidos - a de lançar mão de defensivos usados por grandes culturas, como a soja, o milho e o algodão, mas cujas moléculas também combatem algumas das pragas e doenças que afetam as pequenas culturais.

Quando a indústria começar a produzir defensivos específicos para as "minocrops", haverá muito maior segurança para as empresas produtoras e para os operadores de campo.

Nos Estados Unidos e no Canadá, é o governo que absorve todos os custos das pesquisas que a indústria desenvolve para a criação de novos defensivos. Nesses dois países, a burocracia é mínima, o que reduz muito os prazos, desde a entrada do pedido para análise até sua aprovação e liberação para uso no campo. No Brasil, onde a iniciativa privada é que banca essa despesa, a burocracia atrasa em até cinco anos a análise e o registro dos novos agrotóxicos.

Reunião

Tom Prado participou ontem, em Anaheim, de uma reunião do grupo de países que cuidam da constituição do banco de dados da PMA sobre defensivos agrícolas. Ele se manifestou otimista pelos seus resultados. Nos próximos meses, adiantou, a PMA terá as informações de que precisa para tratar diretamente com a indústria sobre a produção dos defensivos específicos para "culturas de suporte fitossanitário insuficiente" - as minocrops.

Egídio Serpa*
Colunista

O colunista viajou a Anaheim a convite da Produce Marketing Association (PMA)