CE - Itatira celebra safra recorde de mel de abelha
Sertão central
Apesar da seca, o município comemora uma safra que tem garantido melhoria na qualidade de vida dos produtores
Itatira. Apesar da seca, cidades do interior comemoram safra recordes no campo. Esse é caso deste município, localizado no Sertão Central, que comemora uma produção de mel de abelha, que deve chegar a uma colheita de 120 toneladas, na safra deste ano, nas colmeias espalhadas pela zona rural.
As poucas chuvas que banharam as áreas produtoras desde janeiro, fevereiro, março e abril passado favoreceram a florada da caatinga e contribuíram para o aumento da produção nas colmeias. Diferentemente de anos anteriores, o quadro atual é animador e de boas perspectivas de bons negócios.
"No ano passado, a estiagem provocou queda na produção de mel de abelha e a região colheu menos de 40 toneladas do produto'', lembra Manoel Juraci Vieira da comunidade de Monte Alegre. Neste ano, a colheita começou cedo, em janeiro passado, e deve se prolongar até setembro. "A safra será três vezes maior, em relação ao ano passado", diz o apicultor.
Favorável
O mercado é favorável. Os integrantes da Associação dos Apicultores de Itatira ( API) já aguardam o período de vendas.
Atualmente, o quilo do produto é comercializado por R$ 12,00. O preço em face do aumento da oferta está inferior, a 60 centavos ao valor praticado em 2011, quando houve queda na safra e redução dos estoques. Entretanto, os apicultores estão satisfeitos. "O valor atual permite um bom lucro em comparação com outros produtos da agricultura", observa Juraci.
Na região do Sertão Central e Sertões de Canindé os principais produtores são Itatira, Paramoti e Apuiarés. Desde o início da safra que a produção é crescente. Produtores individuais de médio e grande porte e pequenos criadores, associados em grupos, estão motivados a ampliar a atividade produtiva.
Otimismo
Somente em Itatira estão espalhadas em todo território 2,5 mil colmeias, que respondem por 74% da ocupação dos agricultores da região. Em São Gonçalo, Alegre, Sabonete, Tatajuba, Contendas, entre outras 26 regiões é fácil encontrar trabalhadores tocando suas atividades com bastante otimismo. A secretária do Meio Ambiente e Trabalho de Itatira Cláudia Guerra, observa que graças à liberação de recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) por meio do programa de crédito Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) dos Bancos do Nordeste e Banco do Brasil e o apoio do Sebrae com oferta de orientação técnica e consultoria, a apicultura vem crescendo na região do Sertão Central.
A secretária reforça que o mercado é favorável e a atividade é lucrativa, além de favorecer a proteção ao meio ambiente, mantendo as matas nativas. "O grande diferencial é que o município dispõe de infraestrutura para beneficiamento do produto", observa. "Nem mesmo no verão os apicultores estão perdendo enxames. Tudo isso dar-se por conta do processo de manejo adequado que é desenvolvido nas áreas de produção".
Na região, há bons exemplos de produtores que crescem de forma individual ou em grupo. Próximo à sede de Itatira, em Morro Branco, Joel Bezerra é um deles. Dedica-se à atividade e alcançou boa produtividade. Em cima da serra, Antônio Cidoca, é o destaque com sua produção associativa.
Saúde
"Pequenos agricultores viram na apicultura a possibilidade de ampliar a renda e passaram a produzir mel de abelha, a partir da formação de um grupo. Maria do Socorro Alves diz que o mel é um produto medicinal e serve para vários tipos de doenças.
"Em Itatira, existe cerca de duas colmeias para cada morador, isso em proporção no número de apiários existentes e a população de 18 mil habitantes. Tem criador que possui no quintal da casa em torno de cinco criadouros, somente para alimentação caseira'', observa dona Socorro.
A produção associativa é modelo e exemplo para outras comunidades. "Facilita a aprovação de projetos e financiamentos, além da formação técnica", diz o prefeito Antônio Almir, que já conseguiu seis casas de mel para facilitar a vida dos apicultores e ainda compra o produto para ser utilizado na merenda escolar para 59 escolas. "Um incentiva o outro, troca informações e há melhores condições de acompanhamento e orientação aos associados", diz. Outros produzem de forma individual. Nessa modalidade, nos Sertões de Canindé, há pequenos, médios e grandes produtores'', se orgulha Antônio Sousa Lopes, o famoso Antônio do Mel, um inovador na criação de abelhas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é uma das parceiras na compra da safra.
Segundo ele, a temperatura exigida no cultivo de abelhas é, em média, 33 graus, mas, no momento, nossa temperatura atinge cerca de 40 graus. A apicultura no Estado do Ceará caracteriza-se, quase que exclusivamente, pela produção de mel de abelhas oriundas da África. Em uma colmeia, há mais de 80 mil abelhas, que produzem, por safra, de 25 a 35 quilos de mel. Um pequeno produtor possui, em média, 35 colmeias.
''A abelha só tem 24 horas de vida se atacar sua vítima. Caso contrário, vive 45 dias. A abelha rainha, em época de boa florada, chega a produzir três mil ovos diários. O Ceará está entre os cinco maiores exportadores do Brasil. Em 2011, o Estado exportou 4,2 toneladas de mel'', disse.
Entre dezembro de 2010 a janeiro de 2011, as vendas do produto para o exterior cresceram 31,4%. O preço do mel está custando, em média, R$ 12 por quilo. Em épocas chuvosas, esse valor cai para R$ 7 por quilo.
Antônio Carlos Alves
Colaborador




Comentários