CENTRO-SUL Cultivo do arroz começa mais cedo em 2014 na bacia do Orós
Iguatu. Neste ano, começou mais cedo o tradicional cultivo de arroz irrigado nas várzeas do Açude Orós e do Rio Jaguaribe, na região Centro-Sul do Ceará. As terras agricultáveis ficam localizadas neste município e em Quixelô. Em comparação com o ano passado, haverá uma redução de 50% da área. A estimativa é de plantio de 150 hectares. O trabalho inclui 300 pequenos produtores rurais.
O açude Orós é o segundo maior do Ceará com capacidade para armazenar 2 bilhões de metros cúbicos de água. Atualmente, reservatório acumula 61% de sua capacidade, segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh).
O cultivo de arroz irrigado nas várzeas do Orós começou na década de 1960, após a construção do açude. Com o passar do tempo a atividade foi se expandindo e atingiu o auge na década de 1990.
Os agricultores do entorno perceberam que no segundo semestre de cada ano, depois da quadra invernosa, há disponibilidade de terras férteis, que ficam descobertas. À medida que a água vai baixando, os agricultores avançam com o plantio, nos meses de junho, julho e agosto. O ciclo produtivo termina com a colheita, em dezembro e janeiro, antes da chegada novamente das chuvas.
Atrasos
As áreas de cultivo variam segundo o nível do reservatório. Neste ano, beneficiam as localidades de Serrote e Várzea Grande, em Iguatu e outros sítios em Quixelô. "O melhor seria se o açude estivesse com pelo menos 70% da capacidade", disse o produtor rural, Francisco José Braz. "A área de cultivo seria ampliada, beneficiando mais agricultores".
No verão de 2013, o cultivo atrasou por causa da dificuldade de transferência de água para as áreas de produção. Na época, a Prefeitura de Iguatu atendeu à solicitação dos produtores rurais e contratou uma máquina retro escavadeira que fez a reabertura e ampliação de um canal de terra, possibilitando assim a irrigação de cerca de 300 hectares de arroz.
"O plantio começou no fim de junho e vai até agosto", disse o pequeno produtor rural, Marconi Chagas da Silva. Neste ano, o trabalho começou mais cedo porque o canal feito em 2013, facilitou a irrigação, a transferência de água do Rio Jaguaribe para as áreas de cultivo.
Centenas de produtores rurais fazem o serviço de preparo de terra e alguns já plantaram e começaram a irrigar. Os agricultores reclamam do elevado custo de produção, que inclui preparo de terra, uso de adubo químico, herbicida e o serviço de colheita. A maioria não dispõe de capital próprio e sem obter financiamento bancário termina caindo nas mãos de atravessadores e agiotas. No final do trabalho, o lucro fica reduzido ante a necessidade de pagar juros. "O governo deveria olhar para o pequeno agricultor", reclama Marconi Silva. "A gente trabalha por conta própria, sem apoio".
Enfrentamento
Sem outra opção, o jeito é enfrentar as dificuldades. O preço da saca de 60 quilos do grão em casca é vendido atualmente por R$ 45,00, com prazo de 60 dias para pagamento. Esse valor é inferior 10% em relação ao praticado no mesmo período de 2013. Se o produtor optar pelo pagamento a vista, cai para R$ 40,00.
Nesta época do ano, o sertão nordestino é caracterizado por enfrentar período de estiagem que geralmente se estende de junho a dezembro. O quadro de dificuldades de abastecimento de água para milhares de famílias é agravado com três anos seguidos de seca e irregularidades das chuvas. No semiárido cearense, algumas áreas apresentam uma situação favorável ao cultivo de vazantes. É o caso da bacia do Açude Orós.
Extensão
Nos próximos quatro meses, o plantio de arroz irrigado se estenderá numa área estimada em 150 hectares, beneficiando cerca de 300 agricultores. As áreas adequadas para a produção estão mais distantes porque o nível do reservatório baixou, após um período longo de seca.
Um dos maiores produtores da região, Francisco José Braz, disse que o serviço de recuperação do canal de terra no Riacho da Aroeira, feito no ano passado, favoreceu a produção. "Esperamos ter uma boa colheita", disse. Em parceria com outros produtores, Braz pretende fazer o cultivo de 50 hectares de arroz.
A irrigação da lavoura é feita por sistema de bombeamento com uso de motores a óleo diesel e elétricos instalados nas proximidades da água do reservatório. À medida que o nível da água vai baixando, deixando descoberta terras férteis, os agricultores avançam com os equipamentos de irrigação e com o plantio do cereal.
O trabalho se estende até o fim do ano. "Não podemos avançar no tempo porque se vier chuvas estraga a lavoura que pode ficar inundada", explica o produtor Marconi Silva.
Em algumas áreas a produtividade média é de oito mil quilos por hectare. Os produtores reclamam da falta de assistência técnica. "A gente vai tentando acertar sozinho", disse Pedro Alves.
O agrônomo da Ematerce, Jaime Uchoa, disse que o cultivo de arroz nas várzeas do Açude Orós é uma atividade que se estende desde a construção do reservatório, gera emprego e renda no campo e apesar das sucessivas crises em decorrência do elevado custo de produção, contribui para manter a família do agricultor no campo.
Nos municípios de Iguatu e de Quixelô, o cultivo de arroz nas várzeas do Açude Orós mantém a vocação agrícola regional, como atestam os gestores. "Gera emprego e renda e, por isso, é uma atividade que precisa ser apoiada", destacou o prefeito de Iguatu, Aderilo Alcântara.
ENQUETE
Qual perspectiva para a safra?
"A terra está preparada e começamos a fazer o cultivo de arroz na semana passada. A nossa esperança é de ter uma boa colheita no fim do ano, mas a nossa reclamação é que o preço do produto caiu"
José Lima
Produtor rural
"Estamos muito otimistas com a colheita. A reconstrução do canal feita no ano passado assegurou o plantio de arroz neste ano, porque as águas estão muito distantes e sem irrigação não há como produzir.
Antônio Gomes
Produtor rural
Mais informações:
Escritório da Ematerce em Iguatu
Telefone: (88) 3581. 9478
Secretaria de Agricultura do Município de Iguatu
Telefone: (88) 3581. 6527
Honório Barbosa
Repórter




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