CENTRO-SUL Cavalgada reúne mais de 100 cavaleiros em Cedro
Cedro. Mais de 100 cavaleiros e amazonas participaram da cavalgada que percorreu 12 quilômetros Cavalgada da Fé, que percorreu 12 quilômetros. O evento acontece dentro dos festejos do padroeiro deste município, São João Batista, cujo dia é celebrado amanhã.
O início foi às 16 horas em frente à Capela de Santo Antonio, no sítio Umari-Torto. Depois de orações, o grupo seguiu até a Igreja Matriz de São João Batista. Mulheres, homens e crianças aderiram às homenagens ao santo padroeiro.
Os cavaleiros conduziram bandeira e imagem do santo. Na localidade de Baixio, em frente a Capela de Santa Edwiges, houve uma parada para que os devotos fizessem rápidas orações.
"Essa é uma cavalgada da fé, uma festa religiosa", fez questão de explicar, Cecília Viana, uma das organizadoras do evento, que participou das quatro edições. "É uma forma de resgatar a cultura nordestina, a devoção popular aos santos e de prestigiar as comunidades rurais".
Na sede, a cavalgada percorreu ruas do Centro e, um pouco antes das 19 horas, o grupo chegou à Igreja Matriz de São João Batista, onde participou da celebração de novena em louvor ao padroeiro. Depois dos atos litúrgicos, houve quermesse, na praça em frente à igreja. "É um momento de fé e de confraternização", disse o idealizador do evento, comerciante, João Felipe.
"A cada ano, o evento está crescendo, atraindo mais homens e mulheres", ressaltou Felipe. A inspiração veio de uma romaria em que participou na cidade de Aparecida, Interior de São Paulo, terra da padroeira do Brasil. Lá, ele verificou centenas de cavaleiros e quis repetir a cavalgada na terra natal, por uma expressão de fé.
No ano passado, doente, Felipe acompanhou de carro o percurso dos cavaleiros. Implantada, em 2011, em Cedro, a Cavalgada da Fé reuniu no primeiro ano, 80 participantes, na localidade de Candeias.
Crescimento
Em 2012, foram 100, em São Vicente. No ano passado, os organizadores contabilizaram cerca de 120 cavaleiros e neste ano, 130. "A cada ano, há uma forte adesão e é uma forma cultural e religiosa de celebrar a festa do padroeiro", disse o padre Francisco Erasmo Bezerra.
A dona de casa Cecília Viana, participa da cavalgada. "Há algumas mulheres que participam da romaria e puxam os cânticos e orações em cada parada nas capelas", frisou. "Estamos unidos em uma expressão de fé". Orações de Ave-Maria e Pai Nosso são as mais comuns. A cavalgada já faz parte da programação da festa religiosa em louvor ao padroeiro São João Batista.
Francisco Moura participa da iniciativa desde a primeira edição da romaria. "É emocionante, apesar de cansativo", disse. No meio do caminho, cavaleiros vindos de outros sítios vão se juntando ao grupo. Nas vilas e localidades, os moradores ficam em frente às casas para saudar os romeiros. Os idosos aplaudem e saúdam a imagem do santo e os jovens aproveitam e batem fotos com celulares.
Disposição
Raimundo Carneiro de Freitas, 72 anos, é um dos mais idosos. Mostra disposição em cima do cavalo. "Sai de Cedro às 11 horas, depois do almoço, e vou voltar agora", contou. "Participo há quatro anos e quando era jovem percorria esses sítios e as cidades vizinhas andando a cavalo". Era vaqueiro e agricultor e está acostumado. "Só alguns donos de fazenda tinham carros. A gente ia para as novenas montado a cavalo", recorda. Um carro de som com músicas religiosas anima a cavalgada. Com um microfone sem fio, Cecília Viana, dirige mensagens de fé e anima o grupo. Mulheres e crianças seguem na frente. Os homens atrás. O ritmo é lento. No meio deles, uma criança, de dez anos, Artur Batista dos Santos Leite. "Sempre que venho para a casa dos meus avôs, no sítio, gosto de andar a cavalo", contou. "Estamos aqui, movidos pela fé", reafirmou Inês Viana.
O sertão celebra São João, apesar de três anos seguidos de estiagem. Nas localidades rurais, hoje é dia de acender fogueiras, dançar e degustar comidas típicas. É a festa da família.
Iniciados no último dia 15, os festejos em louvor a São João Batista serão encerrados amanhã, quando haverá missa solene e procissão pelas ruas da cidade, com o andor e imagem do santo padroeiro. A festa religiosa é tradicional e reúne milhares de devotos. O padre Erasmo Bezerra, pároco da Igreja Matriz de São João Batista, disse que o sertanejo alimenta com fé e fervor a devoção aos santos padroeiros, que intercedem pelos católicos. "As festas de padroeiro são caminhos que nos fortalecem na fé", frisou. Em um passado não tão longínquo, agricultores e vaqueiros usavam o cavalo como meio de transporte para os deslocamentos nas áreas interioranas.
ENQUETE
Por que participar do evento?
"Por uma expressão de fé, de valorização da cultura nordestina, dos costumes antigos e por ser um momento de confraternização entre amigos e famílias, o que vem sendo feito com reverência na nossa região"
Cecília Viana
Dona de casa
"Quero repetir o que tanto fiz quando era vaqueiro e agricultor, seguia por essas estradas de terra a cavalo e costumava ir às festas dos santos com um grupo de amigos. Era sempre muito alegre e divertido"
Raimundo Carneiro dos Santos
Aposentado
Mais informações:
Igreja Matriz de São João Batista
Rua Senador J Tomé, 160
Centro
Cedro
Telefone: (88) 3564.0207
Honório Barbosa
Repórter




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