Mulher de tenente-coronel é encontrada morta com tiro na cabeça em apartamento em SP

Segundo o boletim de ocorrência, o marido a encontrou caída no chão, com uma arma na mão e intenso sangramento.

Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Reprodução

Gisele Santana, que também era PM, foi achada pelo marido caída. A Polícia Civil apura o caso, registrado como morte suspeita e suicídio. Segundo a mãe da vítima, a relação do casal era abusiva.

Por Karina Cordeiro, Letícia Dauer, TV Globo e g1 SP - 20/02/2026 

Polícia investiga morte de policial militar no Centro de SP

Uma policial militar foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, na manhã de quarta-feira (18), no Brás, região central de São Paulo. O caso foi registrado como morte suspeita e suicídio, mas a Polícia Civil ainda apura as circunstâncias do disparo.

A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, era casada com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e deixa uma filha de 7 anos, de outro relacionamento.

Segundo o boletim de ocorrência, o marido a encontrou caída no chão, com uma arma na mão e intenso sangramento. Gisele chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.

Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento era extremamente conturbado e que o oficial seria abusivo e violento, impondo restrições ao comportamento da filha.

Ela relatou que Gisele era proibida de usar batom, salto alto e perfume, além de ser cobrada pelo cumprimento rigoroso de tarefas domésticas. Disse ainda que, quando a policial mencionou a intenção de se separar, o tenente-coronel teria enviado pelo celular uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça. 

Na última sexta-feira (13), segundo a mãe, Gisele telefonou dizendo que não estava mais suportando a pressão e que queria se separar.

Por enquanto, o tenente-coronel não é considerado suspeito. Procurada, a Secretaria da Seguran-ça Pública (SSP) informou que "diligências estão em andamento".

"A Polícia Civil esclarece que o caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado no 8º DP (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita para apurar as circunstâncias do óbito da vítima", disse a pasta em nota.

O g1 tenta localizar a defesa de Geraldo.

Versão do tenente-coronel

De acordo com o boletim de ocorrência, o tenente-coronel afirmou que conheceu Gisele em 2021, por meio de uma amiga em comum e pela profissão. Em 2023, oficializaram o namoro e, no ano seguinte, se casaram.

Ele disse que passou a arcar com as despesas da casa e a contribuir com a escola da filha da companheira. Segundo o relato, o relacionamento teria se tornado conturbado em 2025, quando ele começou a trabalhar no 49º Batalhão.

O oficial afirmou ainda que teria sido alvo de denúncias anônimas na Corregedoria da PM, motivadas por vingança de colegas, e que teriam inventado um suposto relacionamento extraconjugal. O boato, segundo ele, chegou até Gisele e provocou crises de ciúmes. As discussões teriam se tornado frequentes, e o casal passou a dormir em quartos separados.

Na quarta-feira, por volta das 7h, ele disse que foi ao quarto da esposa propor a separação, pois “o relacionamento não estava mais funcionando”. Segundo o depoimento, Gisele teria se levantado exaltada, mandado que ele saísse e batido a porta. Em seguida, ele foi tomar banho.

O tenente-coronel declarou que mantém a arma de fogo sobre o armário no quarto onde dorme. Cerca de um minuto após entrar no banho, ouviu um barulho que, a princípio, pensou ser de porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída no chão.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/20/mulher-de-tenente-coronel-e-encontrada-morta-com-tiro-na-cabeca-em-apartamento-em-sp.ghtml