Reforma da Previdência deve esperar as eleições
Previdência, pouca disposição dos parlamentares em mudança
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Segundo a Fazenda, o gasto do INSS, que correspondia a 5,9% do PIB em 2002 e passou para 6,9% em 2014, vai saltar para 8,1% neste ano ( FOTO: CAROL DOMINGUES )[/caption]
Além da falta de acordo, parlamentares também mostram pouca disposição para votar a mudança
Brasília. Após a série de impasses nas negociações com os sindicalistas, interlocutores do presidente interino Michel Temer acreditam que a reforma na Previdência Social fique para depois das eleições municipais, em outubro deste ano. Antes, o governo pretendia fechar uma proposta no fim de junho, o que não foi possível. Com isso, deixou de falar em um prazo definido, deixando claro apenas que seja realizar a mudança ainda neste ano.
Fontes próximas ao presidente interino Michel Temer dizem que o Palácio do Planalto reconhece que, neste momento, o capital político de Temer é restrito. O governo interino também reconhece que parlamentares não vão votar temas como idade mínima para aposentadoria antes das eleições municipais. O grupo mais próximo ao presidente interino acredita que, após o pleito municipal, haverá mais disposição dos parlamentares para a votação de medidas consideradas impopulares, como a idade mínima, pois ainda haverá um prazo de dois anos até as eleições de 2018.
Tributos terão que subir
Ontem, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, disse que o gasto do Brasil com a Previdência, que equivale a mais da metade de todas as despesas sociais, o que, para ele, é uma anomalia, já que o Brasil se trata de um País com população jovem.
Ele defendeu a reforma da Previdência e comentou que tributos terão que subir brutalmente nos próximos anos se mudanças não forem feitas. De acordo com o secretário, o gasto do INSS, que correspondia a 5,9% do PIB em 2002 e passou para 6,9% em 2014, vai saltar para 8,1% do PIB neste ano. Um dos motivadores, segundo ele, foram os dois anos seguidos de retração da atividade. "Reforma da Previdência não é questão de ser contra ou a favor, é questão aritmética", disse.
Meta fiscal negativa
O secretário disse ainda que a meta fiscal de R$ 170 bilhões para este ano é realista. "Eu adoraria que a meta fiscal com folga fosse verdade, mas não é", disse Mansueto Almeida, comentando a respeito de uma eventual "sobra" apontada por especialistas de contas públicas.
Para 2017, a meta fiscal também deve ser negativa, de acordo com o ministro interino da Fazenda, Henrique Meirelles, que não quis antecipar os números. "Temos que dizer qual é a verdade e a realidade. Estamos calculando e apresentando as medidas para reverter esse quadro. Isso que é o mais importante", afirmou.
De acordo com o ministro, o governo deve enviar na próxima semana ao Congresso Nacional uma alteração no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 com novos parâmetros. Para Meirelles, o Brasil vive uma situação fiscal difícil, tanto para os estados quanto para a União, com pouco espaço para investimentos. Segundo o ministro, é possível, porém, reverter esse quadro trazendo confiança para os investidores e consumidores, sendo "realista" e dizendo a verdade sobre os números da economia.




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