Mocidade tenta acabar com jejum de 19 anos com enredo politizado

Escola usou irreverência para mostrar problemas como inflação e corrupção. Anitta estreou como musa, e Claudia Leitte foi rainha pela 2ª vez.

Carro abre-alas veio com dezenas de integrantes de topless (Foto: Rodrigo Gorosito/G1) Do G1 Rio Penúltima escola a entrar na Sapucaí no primeiro dia de desfiles do carnaval do Rio, a Mocidade Independente de Padre Miguel resgatou os enredos politizados para tentar quebrar um jejum de 19 anos sem título. O desfile começou perto das 3h15 da madrugada de segunda-feira (8) com uma viagem pelo Brasil de Dom Quixote, cavaleiro delirante do escritor espanhol Miguel de Cervantes, pelos problemas e pela cultura do país. A cantora Anitta estreou como musa na Sapucaí, vestindo uma fantasia sobre a ditadura militar e à frente de um carro em forma de tanque. "Foi maravilhoso! Estou toda derretida!", disse ao final do desfile. Claudia Leitte desfilou pelo segundo ano como rainha da bateria. O tumulto em torno das celebridades causou incômodo em integrantes da escola. A Mocidade fez um desfile grande e levou para a Sapucaí 4 mil integrantes e sete carros, o máximo permitido pelo regulamento. Houve um problema com um carro na dispersão, que dificultou a saída de algumas alegorias e quase comprometeu a evolução da Mocidade. A escola precisou acelerar o ritmo ao final do desfile. Irreverência A irreverência, que torna interessante os desfiles de enredo mais denso, ficou concentrada no primeiro setor, que mostrou os problemas encontrados por Quixote. Porém, a escola evitou muitas polêmicas com o tema. A comissão de frente, com moinhos de vento transformados em torres de petróleo e corruptos sem rosto fez uma alusão aos recentes escândalos políticos. O abre-alas da escola trouxe um imponente Dom Quixote, uma das maiores alegorias da noite, e dezenas de integrantes de topless. As baianas estavam fantasiadas de abacaxi. Na sequência vieram as alas representando a "inflação bombástica" e o "poder que corrói", além de uma intitulada "somos todos palhaços".

Musa de topless desfila em carro da Mocidade (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Carro abre-alas veio com dezenas de integrantes de topless (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Cultura brasileira A segunda parte do desfile, fez uma homenagem a obras da literatura, da música e da arte, com fantasias mais tradicionais. Os carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira deram um toque sustentável ao desfile, com duas outras alegorias que se destacaram. O quarto carro, de um navio negreiro, tinha o casco feito todo em latinhas. O quinto, o mais bonito da escola, foi feito com bambu, galho seco e bucha vegetal. Chamada "Sacra Insurreição", a alegoria representou o Nordeste e a obra "Os sertões", de Euclides da Cunha. A Mocidade Independente de Padre Miguel encerrou às 4h41, com 80 minutos de desfile.
Carro usa rato para representar a sujeira da corrupção (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Carro usa rato para representar a sujeira da corrupção (Foto: Rodrigo Gorosito/G1) Escola de samba levou 4.000 componentes, o máximo permitido pelo regulamento (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Regras Nesta primeira noite de desfiles, se apresentam, pela ordem, as escolas Estácio de Sá, União da Ilha do Governador, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Grande Rio, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca. Nas segunda-feira (8), outras seis escolas complementam os desfiles do Grupo Especial: Vila Isabel, Salgueiro, São Clemente, Portela, Imperatriz Leopoldinense, Mangueira. A campeã será conhecida na quarta-feira (10), quando acontece a apuração dos votos. A última colocada será rebaixada para a série A. Pela regras do carnaval do Rio, são 9 os quesitos de avaliação: mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, bateria, harmonia, evolução, enredo, samba-enredo, alegorias e adereços, fantasia.