Sem-terra invadem fazenda de família do ex-deputado José Janene
Segundo o MST, 550 famílias ocuparam a propriedade em Londrina, no PR. Incra informou que processo para obter a área ainda está em avaliação.
Do G1 PR, em Londrina Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a Fazenda Marília, no distrito de Lerrovile, em Londrina, no norte do Paraná. O local pertence aos herdeiros do ex-deputado José Janene, morto em 2010. De acordo com a coordenação do MST, 550 famílias estão na propriedade de 200 hectares desde sábado (28). A propriedade estava arrendada para a criação de gado e também para o plantio de soja. Muitos integrantes já se organizaram e montaram barracos. Conforme um dos líderes do movimento, o lugar foi escolhido porque a área está bloqueada pela Justiça. O G1 tentou contato com a família de José Janene, mas ninguém foi localizado para comentar o caso. “Essa área foi adquirida com dinheiro público, fruto de desvio de dinheiro. É uma área que está há anos bloqueada pela Justiça. Nesse sentido, as famílias escolheram essa área porque nós achamos que esse local deve ser destinado para a reforma agrária, e é uma área adquirida com recurso público”, disse José Damasceno, um dos integrantes do MST. Um caseiro que cuidava da fazenda antes da ocupação continua morando na propriedade. Os funcionários que cuidam do gado só estiveram na área no sábado, mas, segundo os líderes, todos têm trânsito livre. As famílias que estão na fazenda Marília ocuparam anteriormente a Fazenda Figueira, no distrito de Paiquerê, também em Londrina, que pertence a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queirós. A fazenda Figueira foi ocupada em agosto, e um pedido de reintegração de posse foi aceito pela Justiça. Na época, 1,2 mil famílias aceitaram o acordo de deixar a área depois que um laudo atestou a produtividade das terras. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que tem intenção em obter a Fazenda Marília, mas o processo ainda está em avaliação. O órgão explicou ainda que continua trabalhando para obter áreas na região. Um dos réus do processo do mensalão do PT,José Mohamed Janene morreu em 2010, aos 55 anos, vítima de um infarto, antes de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele era investigado pelo suposto envolvimento no esquema de pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político no Congresso Nacional, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

















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