PMs da Rota são suspeitos de torturar rapaz com choque em pênis
Vítima era suspeita de matar delegado em 2013 em SP, diz membro da OAB.
Carro da Rota, grupo de elite da PM de São Paulo (Foto / Arquivo: Marcelo S. Camargo/Frame/ Estadão Conteúdo) Do G1 São Paulo Policiais ainda teriam torturado mais 2 suspeitos; assassino foi preso depois. Três policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) são suspeitos de torturar e manter em cárcere privado três rapazes que estariam envolvidos na morte de um delegado em 2013. Os agentes queriam que o trio confessasse o assassinato. As informações são da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De acordo com Arles Gonçalves Júnior, presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB, as vítimas denunciaram os os policias da Rota, grupo de elite da Polícia Militar (PM), à Polícia Civil, que indiciou dois deles por tortura. Um outro PM será indiciado quando voltar da licença médica. Os rapazes alegaram que os policiais deram choque elétrico no pênis de um rapaz, colocaram outro dentro da geladeira e mantiveram um deles preso no banheiro. A ação violenta da Rota, relatada pelo trio, teria ocorrido ocorrido em 24 de outubro de 2013, dois dias após o assassinato do delegado Antonio Cardoso de Sá. O policial civil havia sido morto a tiros em 22 de outubro, num bar da Zona Leste. Ele tinha 63 anos. Segundo os policias da Rota, os suspeitos do crime eram André Luis Loureiro da Silva, Marcos Vinicius dos Santos da Silva e William Silva Santiago. Apesar de os PMs terem informado que os três confessaram o crime, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), liberou os rapazes por entender que não havia indícios contra eles. O verdadeiro assassino do delegado foi preso depois. Apesar disso, os rapazes que acusaram os policiais da Rota de tortura sumiram. Eles não foram mais encontrados pelo DHPP após denunciarem o caso em 2014. Procurada na manhã desta quarta-feira (29) peloG1 para comentar o assunto, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) não havia respondido aos questionamentos da equipe de reportagem até a publicação desta matéria. De acordo com o advogado da Comissão de Segurança da OAB, o DHPP decidiu responsabilizar os três policiais da Rota. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) comprovou que ao menos uma das vítimas foi torturada. “Texto do laudo do IML diz que as lesões caracterizam totura através de choque elétrico na coxa e pênis”, afirmou Arles, que acompanhou o depoimento de duas das três vítimas dos PMs no DHPP. Além dele, o advogado Martins Sampaio, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, também ouviu o relato dos suspeitos. A equipe de reportagem não conseguiu localizar Martins para comentar o assunto. “Nós ouvimos de duas vítimas que os PMs entraram no imóvel onde estavam e deram choques no amigo delas”, disse Arles. “Em seguida, colocou um dos rapazes dentro de uma geladeira por uma hora e manteve o outro em cárcere no banheiro”. Texto do laudo do IML diz que as lesões caracterizam totura através de choque elétrico na coxa e pênis" Arles Gonçalves Júnior, presidente da Comissão de Segurança da OAB-SP De acordo com Arles, o inquérito do DHPP seguiu para o Ministério Público (MP), que decidirá se irá denunciar os três PMs à Justiça pelos crimes de tortura e cárcere privado. A ação dos três policiais da Rota, então um tenente e dois soldados, ocorreu na casa de um dos suspeitos, no Jardim Bartira, Zona Leste de São Paulo. Segundo o representante da OAB, quando os PMs levaram os rapazes ao DHPP, um delegado desconfiou dos ferimentos neles. “Dois deles negaram o crime e ainda estavam bem machucados”, lembrou Arles. De acordo com a Comissão de Segurança Pública da ordem, as vítimas disseram que as sessões de tortura duraram sete horas. “O delegado do DHPP chamou as duas comissões da OAB para acompanhar os depoimentos e o resultado do laudo do IML que comprovou ter havido tortura”, declarou Arles. Após denunciarem a tortura à Polícia Civil, os três rapazes não foram mais encontrados. “O DHPP chegou até a procurar cadáveres não identificados para saber se seriam algumas das vítimas, mas não teve nada confirmado”, disse Arles. Segundo a Comissão de Segurança da OAB, a Polícia Civil ainda procura pelas vítimas. “O paradeiro deles é desconhecido, mas provavelmente saíram de São Paulo com medo de represálias”, afirmou Arles. Um dos policiais da Rota envolvidos na ação chegou a ser promovido. “O tenente se tornou capitão”, informou o representante da OAB, que, no entanto, não soube dizer o nome do oficial e dos outros dois agentes indiciados.











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