Imigrantes são maioria em prédio desocupado no Centro de SP

Ao menos 300 pessoas moravam no imóvel desocupado.

A desocupação do Palacete do Carmo, prédio pertencente à Arquidiocese de São Paulo na Sé, região central da capital paulista, nesta quinta-feira (13) mostrou que imigrantes eram maioria entre os moradores do local. Reintegração foi pacífica, segundo a Polícia Militar.

O edifício havia sido invadido em 2 de junho e possuía cerca de 300 moradores, grande parte haitianos e africanos.

Sem falar português direito, um homem que morava no local confirmou que pagava R$ 150 de aluguel para poder viver no palacete, mas não soube dizer a quem.

Algumas famílias buscaram abrigo na Paróquia Nossa Senhora da Paz, na rua do Glicério, que desde abril acolhe imigrantes vindos do Acre. Lá, elas são encaminhados para um salão transitório que chega a receber até mais 90 pessoas por noite. Segundo dados apurados pelo SPTV, ao menos três ônibus com haitianos vindos do Acre chegam à capital paulista toda semana.

Há três anos o Ministério da Justiça concede vistos de permanência em caráter humanitário aos imigrantes, cujo país foi afetado pelos efeitos de um terremoto em 2010. Grupos cruzam a fronteira pelo Acre. Mas, por causa dos efeitos das cheias do Rio Madeira, o estado desativou abrigo em Brasiléia (AC) e passou a custear o transporte dos imigrantes para São Paulo.

Coordenador da igreja, o padre Paolo Parise afirma que o local é procurado devido à falta de vagas em abrigos. “Normalmente não tem vaga nos abrigos públicos, na nova estrutura da prefeitura, e eles vêm aqui pedir socorro pra não dormir na rua. A gente pega colchões, cobertores e improvisamos comida”, afirma.

Duas vezes por semana, empresas vão à paróquia para contratar funcionários. Cerca de 3.500 estrangeiros teriam passado pelo local e cerca de 2.400 estariam empregados. Em nota, a Prefeitura informou que as pessoas que deixaram o Palacete do Carmo nesta quinta podem procurar amparo na rede pública municipal, inclusive os estrangeiros.

Do G1 São Paulo