Escolas mantêm tradição das quadrilhas juninas na Paraíba

Atividades envolvem também crianças especiais na valorização do São João.

O Nordeste brasileiro preserva a tradição de no mês de junho realizar grandes festas juninas e um dos maiores espetáculos apresentados são as quadrilhas juninas, antes pequenos grupos de dançarinos rurais e comunitários e hoje grandes organizações jurídicas com números grandiosos. Mas um dos principais espaços de primeiro contato das pessoas com a quadrilha continua acontecendo: as escolas.

Em Campina Grande, local onde é realizado o chamado ‘Maior São João do Mundo’, as 22 creches municipais, com crianças de até 6 anos, têm a festa junina e as crianças se transformam em quadrilheiros no período. As mães são as grandes entusiastas da brincadeira, responsáveis por comprar ou ornamentar vestidos, diademas, meias e sapatos, além da maquiagem peculiar de matuta. Para os meninos é preciso arrumar a roupa matuta surrada, o chapéu de palha e a brincadeira faz nascer barba e bigode.

Josirete Farias é uma destas mães. Ela sempre faz com que os filhos participem da quadrilha da Escola Municipal Tiradentes, no bairro Santa Rosa. “Acho muito importante porque fez parte da minha infância e as crianças gostam”, disse. A filha dela é a Elisângela Farias, de 11 anos de idade, que participa da quadrilha do 8º ano.

Na mesma escola estudam algumas crianças especiais e elas também participam da quadrilha. Kelly Cristina, de 15 anos, é portadora da Síndrome de Down, e fica logo na primeira fila da quadrilha. “Eu adoro dançar quadrilha”, disse. “É bom porque envolve todos os alunos e eles ficam abertos a todos os acontecimentos da escola, inclusive com o estudo, além de preservar uma parte tão bonita da nossa cultura”, disse a diretora da escola, Inadja Oliveira. Além da quadrilha, as professoras fizeram um número de dança com mamulengos, tradicionalmente regional, que anda esquecido.

Na Creche Municipal Karine da Silva, no distrito campinense de São José da Mata, mais de 100 alunos participam de um quadrilhão no ginásio de esportes. Os primeiros números são das crianças pequenas e depois todos se juntam em uma grande festa há 15 anos.

Produção coletiva

Para o pesquisador em cultura popular nordestina Hipólito Lucena as quadrilhas escolares também já ensinam desde cedo a importância da coletividade e da união em torno de uma realização. “Elas ainda formam o maior espaço de manifestação da quadrilha gratuita, aquela quadrilha pelo prazer da brincadeira e da tradição cultural. São elas que projetam os entusiastas da modalidade para as quadrilhas do bairro, que se reestilizaram, se urbanizaram e que constituem atualmente a maior produção coletiva cultural nossa”, analisou.

Rafael MeloDo G1 PB