Barbalha festeja hoje centenário da Igreja da co-padroeira Nossa Senhora do Rosário
Paróquia de Santo Antônio e devotos comemoram a data
Igreja reforma nos tempos atuais
Há 100 anos atrás no dia 02 de Fevereiro de 1921, teve a benção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
A ideia da construção da Igreja do Rosário, nasceu entre os homens de cor, gente simples, piedosa, congregada mais tarde em uma irmandade - a de Nossa Senhora do Rosário – que ansiavam pela criação de um templo, dedicado à padroeira de sua associação. Esta ideia, porém ficou largo tempo incubada na mente dos modestos homens do povo, e pelas vias de 1860 é que chegou a exteriorizar-se em fato com as escavação dos alicerces na rua desta cidade que desde então tomou o nome de Rua do Rosário.
Entretanto, a execução da construção não passou dos alicerces os quais foram soterrados pelas sucessivas invernais, ficando, contudo, sempre radicada, a mente tenaz dos seus promotores, a ideia, encarnada numa festividade anual, fosse no intuito de angariar-se recursos com o resultado das festas, fosse unicamente na esperança de que aquela festividade celebrada invariavelmente todos os anos na época do natal, até dia de reis, lhes avivasse a memória jamais lhes deixando olvidar o intento que os animara da construção de uma igreja.
Assim a festa dos Reis Longos entre as classes escravistas de Barbalha, foi um argumento novo de fé, nela tendiam todos as suas esperanças de modo a tornar-se os mais fortes e seguros elementos de incremento incessante da ideia, tenaz, cheia de vicissitude, mas sempre dominante da criação de um altar à virgem do Rosário.
Com a extinção do elemento servil e consequente dispersão dos pretos para diversas localidades, a ideia ficou de novo esquecida, mais tarde no espírito empreendedor e esclarecido do Vigário da Paróquia, Pe. João Francisso da Costa Nogueira, o qual, entretanto, nunca pode levá-la a efeito, devido outros encargos de construção e reparos da Matriz, do cemitério e capelas filias. Coube ao Pe. Manoel Candido dos Santos, então vigário da freguesia, a iniciativa da construção da Igreja do Rosário com a benção da pedra angular, em junho de 1892. No inverno de 1906, já a Igreja tinha as duas paredes eretas, a ponto de receber o teto; quando sobreveio forte invernada, desabando a colunata do centro, que formava a nave central, arruinando o paredão do sul.
No verão do mesmo ano, recomeçou o trabalho de construção, que marchou, sem interrupção até o ano de 1907, ano em que o Monsenhor Manoel Cândido, deixou o paroquiato de Barbalha, ficando o corpo da Igreja coberto, rebocado pelo lado do sul, mas ainda sem torre nem consistório.
Assim ficou parada a construção durante sete anos. Novo entusiasmo, despertaram as energias, quase gastas da população, e não podemos furtarmo-nos a evocar aqui, duas nobres figuras que colaboraram nele, com o desinteresse e o ardor que só as almas nobres sentem.
Em torno deste núcleo de energias todos pelas duas almas denodadas e leais, pelos dois trabalhadores incansáveis, que com aquela fé que num qualquer trabalho não veem ou não pesam os obstáculos materiais que se opõem ao conseguimento de um fim, desenvolveram-se muitas outras atividades, de numerosas pessoas que sentimos não poder lembrá-las todas aqui, mas cujos nomes se encontram no livro de registro da Igreja, como prova da generosidade e do trabalho.
Seria ingratidão silenciar aqui os nomes de Antonio Correia Sampaio Filgueiras e José de Sá Barreto Sampaio, os quais tomando a seu cargo a construção do templo, promoveu-se subscrições anuais entre todas as classes, as quais correspondiam na altura das esperanças de verem concluídas as obras do majestoso templo e assim trabalharem interceptamente durante anos, até 1914, quando nova vicissitude da sorte fez parar as obras, devido a revolução chamada guerra do Juazeiro.
Quase toda população de Barbalha, dispersou-se fugindo à guerra pelos sertões de Pernambuco e só em 1918 recomeçaram as obras, ainda dirigidas pelos dois tenazes e operosos de A.C.S.F e J.S.B.S. que viram afinal a sua conclusão e a benção da Igreja. Em seu interior nota-se obras de acentuada perfeição artística.
O altar-mor, entalhado à mão em madeira. A cômoda e o confessionário honra a capacidade profissional dos nossos artistas sertanejos. Conseguimos aqui, os nomes de Manoel Roque, Mestre José de Freitas, Luis Gomes e Joaquim Tijubina, desconhecidos, mas finos obreiros de cujas mãos saíram aqueles mimos de arte nacional de madeira. O trabalho da Construção ficou a cargo do pedreiro Severo de Souza lima, que o dirigiu desde o início até o fim.
O trabalho de carpintaria (teto, escada, portas, janelas, forro, etc), ficou entregue ao carpinteiro José Aniceto de Almeida que o executou do começo ao fim. A imagem de Nossa Senhora do Rosário presente no altar, doada pela senhora Cosma Porcina de Sá Barreto Sampaio, foi trazida da França. Cumpre ressaltar nesse registro, que durante todas as solenidades, o Pe. Euzebio de Oliveira, cuja capacidade de trabalho já é por demais conhecido de todos os Barbalhenses, o Revmo. juntamente com Dona Alacoque, foram os idealizadores, planejadores, e realizadores de todas as solenidades de benção. Pe. Euzebio esteve a frente de todos os atos, dirigindo, orientando, trabalhando até o fim para que tudo se realizasse da melhor forma.
A igreja permaneceu por vários anos sob os cuidados da família Sampaio que entregou-a à Paróquia de Santo Antônio. Após várias reformas para a conservação do templo.
Colagoração e fotos: Joel Freitas





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