MARACANAÚ
Um homem que se apresentou no 14ºDP (Conjunto Industrial) como sargento do Exército Brasileiro (EB) está sendo investigado por ter envolvimento com um roubo e uma tentativa de extorsão, em Maracanaú. De acordo com o titular da unidade policial, delegado Aurélio Araújo, a venda de um sítio, intermediada pelo homem, também poderá ser investigada como estelionato. Segundo o Exército, o homem não é militar, tendo servido como soldado e estando atualmente apenas na condição de reservista.
Conforme Aurélio Araújo, toda a trama teria começado no dia 1º de novembro, quando a casa de um empresário do ramo de confecções, situada no bairro Esplanada Mondubim, em Maracanaú, foi assaltada. Segundo a própria vítima, que terá a identidade preservada, ele e a esposa estavam chegando em casa quando foram abordados por dois homens que ocupavam um veículo Volkswagen, modelo Gol, de cor vermelha.
“Um deles ficou no carro, o outro entrou e fez uma ligação telefônica chamando uma mulher loura, que chegou e entrou também. A mulher pegou a arma e ficou nos ameaçando, enquanto o rapaz pegava notebook, cheques, joias, relógios, dinheiro e roupas”, disse o empresário.
Ameaças por cartas e mensagens
No dia seguinte ao assalto, começaram a chegar mensagens SMS e cartas, que eram jogadas para dentro da residência, ou, enviadas pelos Correios exigindo R$ 10 mil reais da vítima. As cartas diziam, ainda, que caso ele informasse a Polícia o que estava acontecendo, ou, não pagasse a quantia exigida, seria morto.
Uma das mensagens que chegou ao celular do empresário dizia: “Vc foi muito burro... vai gastar muito mais dinheiro com cadeira de rodas e caixão... vc tem ate hj pra depositar...N vai ser hj nem amanha que vou te pegar.. vai ser qndo e onde vc menos esperar. Boa sorte”. As cartas também continham ameaças e eram assinadas como “Ladrão”.
A vítima decidiu procurar a Polícia, que iniciou as investigações e descobriu o que estava acontecendo. Na última sexta-feira, dia 05, a vítima estava conversando com o sub-tenente Agenor do 14ºBPM (Maracanaú), quando o PM percebeu que um homem que se aproximava, correu ao vê-los.
“Ele estava fugindo e não havia motivos para aquilo. Corri atrás e peguei o rapaz antes que ele subisse na moto em que estava. Dois homens que estavam com ele fugiram em um Gol. Somente quando o empresário viu o Gol, foi que reconheceu que era o veículo usado no dia do assalto à sua casa. Levei o suspeito até a delegacia e ele acabou entregando todo o esquema”, disse o sub-tenente.
Artur Bruno Pinheiro Vieira, 19, disse no 14ºDP que o suposto sargento do Exército repassou todas as informações acerca da rotina da família, para que o assalto fosse bem sucedido e teria arquitetado o plano de extorsão.
O delegado afirmou que o homem que se apresentava como militar foi até a delegacia e alegou que nada tem a ver com o fato e não conhece Artur Vieira, ou as outras pessoas declinadas pelo rapaz. “Ele nega tudo, mas sua participação na tentativa de extorsão está clara. Não só como um envolvido, mas como o ‘cabeça’ da trama. Como se apresentou, não tínhamos como prendê-lo, mas vou representar por um pedido de prisão preventiva contra ele. O inquérito que apura o roubo será apurado por portaria e ele será investigado neste outro também”.
A vítima revelou que ficou assustada quando descobriu a possibilidade da participação do suposto sargento. “Fiquei muito surpreso. Ele vivia na minha casa. Se fazia de meu amigo”.
Os outros dois homens e a garota que participaram do roubo foram identificados pela Polícia, que está diligenciando à procura dos três. “Os outros dois seriam o ‘Ismael’ e o ‘Lourinho’. Estamos levantando todos os dados deles. A mulher, na verdade, é uma adolescente de apenas 16 anos”, afirmou Araújo.
O veículo Gol, em que os suspeitos transitavam é roubado. O proprietário, que mora no bairro Messejana, já foi notificado para ir à delegacia fazer o reconhecimento do veículo e do homem preso.
Venda de sítio sob suspeita
O empresário disse que já tinha sido enganado pelo suposto sargento outra vez, quando ele intermediou a venda de um sítio. “Ele perguntou à dona do imóvel o preço do sítio e ela disse que custava R$ 220 mil, mas o sargento ofereceu ao empresário dizendo que custava R$ 250 mil. Nessa transação acabou ficando com R$ 30 mil. Estamos vendo a possibilidade de autuá-lo por estelionato, por ter agido com total má fé”, disse o delegado.
No depoimento que Artur Vieira prestou a Polícia, disse que o homem que se diz militar usou o dinheiro que conseguiu na venda do sítio para dar entrada em uma Mitsubishi, modelo Pajero, que ele dirigia no momento em que se apresentou no 14ºDP. O veículo foi apreendido e está no pátio da delegacia.




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