Militar suspeito de matar filho no Ceará foi preso para ter segurança, diz policial

Ele está hospitalizado sob vigilância para mantê-lo seguro, diz delegado.

O delegado responsável pela investigação do homicídio na família do subtenente do Exército Francilewdo Bezerra, Wilder Brito, afirmou nesta quarta-feira (26) que pediu a manutenção da prisão do militar para mantê-lo em segurança. Francilewdo está hospitalizado em Fortaleza e mantido preso. Ele é apontado em inquérito como suspeito. Segundo depoimento da mulher de Francilewdo à polícia, o marido obrigou que ela e o filho ingerissem tranquilizantes com objetivo de matá-los e em seguida tentou suicídio com remédios. O filho de nove anos morreu e foi sepultado em Recife, em 12 de novembro, um dia após o crime.

"Eu pedi ao juiz que mantivesse a prisão do subtenente para preservar a vida dele. Se imaginarmos que ele não foi o autor desse crime, ele poderia correr risco de vida se não estivesse seguro, dentro de uma instituição militar. Para garantir a segurança, apenas três pessoas foram autorizadas a ter acesso a ele durante o coma", disse o delegado. O suspeito saiu do coma nesta semana.

Nesta quinta-feira (27), o subtenente deve ser transferido para um apartamento do Hospital Geral do Exército, e a segurança em torno do suspeito deverá ser mantida. "Já conversei com o comandante da 10ª Região Militar que já autorizou para a direção do hospital um reforço na segurança. Também fizemos uma vistoria no apartamento e retiramos tudo o que pudesse colocar em risco a vida do paciente. Além disso, todas as janelas possuem grades, o que aumenta ainda mais a segurança do local", diz.

"A primeira pessoa que não aceitou a tese montada [pelo delegado que efetuou o flagrante] fui eu", disse o delegado Wilder Brito, titular do 16º Distrito Policial. "Também levantei a hipótese do envenenamento da criança ter sido por chumbinho, o que foi confirmado pela perícia", acrescenta.

O subtenente foi preso em flagrante e levado para o Hospital do Exército, onde ficou em coma por uma semana. Após sair do coma, o militar foi ouvido informalmente pelo delegado Wilder Brito, responsável pelo inquérito. "Ele teve a reação que eu esperava ao saber dos fatos. Essa reação vai ser 'laudada' e anexada aos autos. Uma reação para um leigo não muita ou nenhuma importância, mas para mim, tudo é levado em conta", explica o delegado. Segundo ele, até sexta-feira (28), o subtenente deverá prestar depoimento formal sobre o caso.

O caso
O subtenente Francilewdo Bezerra é suspeito de matar o filho de nove anos e tentar assassinar a mulher com tranquilizantes na madrugada da terça-feira (11). O casal vivia junto há treze anos. Em depoimento na delegacia, a mulher do subtenente disse que foi agredida e depois obrigada a tomar comprimidos tarja preta com vinho. Depois o subtenente obrigou o filho a tomar os remédios. No depoimento, ela disse que desconhece as razões que levaram o marido a cometer o crime.

Mensagem em rede social
No perfil do militar no Facebook, foi deixada no dia do crime uma mensagem, apagada posteriormente, que dizia: "Té vendo essa mulher linda me pediu o divórcio. (...) Temos 2 filhos especiais vou levar um comigo obriguei ela a beber vinho com seus tranquilizantes p dormir e n vê o q vou fazer (sic)", disse. Em seguida, o subtenente pede perdão por matar o próprio filho. "Me perdoem família mas a carga ta grande demas e n aguento mais sfrer calado vendo essa mulher se anular a 10 ans (sic)".

Verônica PradoDo G1 CE