Polícia prende falso médico que atuava em clínica do Recife

Ele atuava em clínica na Rua do Sossego, na Boa Vista, desde 2012.

Um homem de 66 anos que se passava por médico foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira (30), em uma ação da Polícia Civil, através da Delegacia do Consumidor, acompanhada pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). Ele usava o nome e o número do registro profissional de outro médico, que morreu em 1989, e atuava numa clínica no Centro do Recife.

Segundo a polícia, o homem atuava em uma clínica especializada em exames de admissão, localizada na Rua do Sossego, no bairro da Boa Vista, área central do Recife. Foi por meio de denúncias que os policiais conseguiram descobrir o local onde o falso médico trabalhava desde 2012. Pacientes e funcionários foram ouvidos ainda na manhã da terça.

O homem foi autuado pelos crimes de falsidade ideológica e documental e presta depoimento na Delegacia de Polícia de Crimes contra o Consumidor (Decon), no Centro da capital. Carimbos e atestados médicos foram apreendidos no local.

A clínica em que o médico trabalhava foi fechada pela Vigilância Sanitária, que constatou, durante a operação, que o local não estava devidamente registrado nos órgãos responsáveis. "A clínica está interditada porque não tem licença para funcionar e não sabemos quem é o médico responsável. O homem que estava lá supostamente está usando o CRM de um médico que já morreu", explica a gerente da Vigilância Sanitária do Recife, Adeilza Ferraz.
Investigação

A polícia e a Vigilância Santiária chegaram ao local a partir de um questionamento da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) ao Cremepe sobre uma série de atestados médicos entregues ao órgão durante o recadastramento anual no Sistema Municipal de Táxi, em agosto de 2013, que exige um conjunto de documentos, entre eles o atestado de saúde assinado por um médico.

A CTTU observou um grande número de atestados vindos da clínica, muitos com sinais de falsificação. "A assinatura é um rabisco em cima do carimbo, que você tem que olhar bem detalhedamente para vizualizar o número do [registro no] Conselho. No escritório, estavam vários atestados em branco já carimbados, só esperando ser preenchidos", detalha Adeilza Ferraz.

Durante o período em que a fiscalização ficou no local, mais de dez pacientes chegaram para buscar atestados, que eram vendidos a R$ 25, segundo a gerente da Vigilância Sanitária. "A gente presume que eles vendem o atestado. Como não tem sala de exame, não tem nada, só uma recepção e o escritório, como são feitos os exames?", aponta.

Do G1 PE