Enterrado homem que tentou salvar 2 trabalhadores dentro de buraco na BA
Dois operários também morreram; causas são apuradas por SRTE e MPT.
Foi enterrado na tarde desta quinta-feira (19), em Salvador, o trabalhador de ferro-velho que morreu ao tentar resgatar os dois funcionários terceirizados da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) que caíram em um buraco de três metros de profundidade no bairro Cajazeiras VI, em Salvador. A fatalidade ocorreu na quarta-feira (19) e os três morreram por asfixia devido a um vazamento de gás.
Gilmário da Conceição Barbosa, de 31 anos, foi enterrado no cemitério Quintas dos Lázaros. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), os corpos dos José Ivan da Silva foi levado à cidade de Ichu e Antônio Pereira da Silva para Muritiba. O acidente aconteceu em rede de esgoto cuja obra, no canteiro central da Via Regional, é realizada pelo consórcio MRM/Passarelli.
Investigação
Um contaminante na rede de esgoto pode ter provocado o vazamento de gás, aponta análise inicial da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE). A SRTE já embargou as atividades em espaços confinados de responsabilidade do consórcio tanto na capital baiana quando em Lauro de Freitas, na região metropolitana.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também começa a apurar as mortes e indica que a vistoria inicial aponta falhas em procedimentos básicos de segurança. O MPT adianta que a Embasa tem acordo judicial firmado que estabelece obrigatoriedade de atendimento de normas de saúde e segurança do trabalho em todas as suas obras.
Tragédia
Os funcionários caíram em um buraco na Rua Imperatriz, na quarta-feira (18). Um outro funcionário da empresa terceirizada também entrou no buraco para tentar resgatar os operários, mas, ao perceber o forte cheiro de gás, desistiu e conseguiu sair do local.
Em nota, a empresa de saneamento disse que as mortes foram ocasionadas por "contaminação por gás dentro de um equipamento da rede de esgotamento sanitário que está sendo implantada na localidade". Procurada, a MRM/Passarelli informou que o expediente foi finalizado mais cedo por conta do jogo da Copa e que não tem informações sobre o caso.
Falta de segurança
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção (Sintepav), Irailson Warnoaux, não tinham equipamentos de segurança no local. "Eles deveriam ter colocado técnicos de segurança para verificar as condições de trabalho", relata Irailson. Ele ainda informou que o sindicato denunciou a empresa terceirizada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE).
Segundo a Embasa, o consórcio responsável pela execução da obra está investigando a origem do gás, uma vez que a rede de esgoto ainda não está em funcionamento. O equipamento é uma caixa de concreto armado implantada a três metros de profundidade. De acordo com o consórcio, o serviço estava finalizado há três meses e, nesta manhã, os técnicos foram realizar vistoria no local.
A Embasa informou que vai acompanhar o caso e apurar as responsabilidades junto ao consórcio executor da obra.
Do G1 BA




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