Menos de 20% dos pais sabem que a meningite pode ser fatal em poucas horas

O desconhecimento sobre a gravidade da doença ainda é grande

Menos de 20% dos pais sabem que a meningite pode ser fatal em poucas horas — Foto: raw-pixel.com/Freepik

Pesquisa mostra que brasileiros apoiam a vacinação, mas ainda conhecem pouco sobre a rapidez com que a meningite pode evoluir

05/10/2026 

A meningite meningocócica é uma infecção bacteriana grave que pode evoluir rapidamente e deixar sequelas permanentes ou levar à morte. Uma pesquisa internacional realizada em seis países, incluindo o Brasil, mostra, porém, que ainda existem lacunas importantes no conhecimento de pais e jovens sobre a doença.

No Brasil, apenas 19% dos pais entrevistados sabem que a meningite pode se tornar fatal em poucas horas. Entre adolescentes e jovens adultos de 15 a 25 anos, o índice é ainda menor: apenas 10% reconhecem a rapidez com que a infecção pode evoluir.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Human8 a pedido da biofarmacêutica GSK e divulgado nesta segunda-feira (5), Dia Mundial de Combate à Meningite. A pesquisa ouviu cerca de 6 mil pessoas na Argentina, Austrália, Brasil, França, Itália e Espanha, entre pais de crian-ças de 0 a 18 anos e jovens de 15 a 25 anos. No Brasil, foram entrevistadas cerca de 1 mil pessoas entre pais e jovens.

Os dados foram coletados entre 20 de maio e 12 de junho de 2026. Os pais responderam considerando o filho mais novo, de acordo com a faixa etária correspondente, enquanto os jovens responderam sobre si mesmos.

O desconhecimento sobre a gravidade da doença ainda é grande

O levantamento investigou o conhecimento sobre a meningite meningocócica, a percepção de risco, as atitudes em relação à vacinação e as fontes de informação utilizadas nas decisões relacionadas à saúde.

A percepção sobre o início da doença também chama atenção. Apenas 21% dos pais acreditam que a meningite já começa com sintomas graves e evidentes. No entanto, os primeiros sinais podem ser semelhantes aos de outras infecções, como febre, dor de cabeça e vômitos, antes de o quadro evoluir rapidamente.

"Esses achados mostram a necessidade de maior conscientização sobre seus sinais e sintomas, a importância de buscar atendimento médico urgente quando necessário e conversas informadas sobre medidas preventivas, que podem incluir vacinação quando recomendada", destaca Rodrigo Nascimento, diretor médico de vacinas da GSK Brasil.

A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo. A infecção provoca inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode causar complicações graves, como perda auditiva, danos neurológicos e perda de membros.

Entre os pais entrevistados, menos da metade, 44%, sabe que a doença pode causar problemas de equilíbrio ou coordenação, enquanto apenas 32% a associam à perda auditiva.

O cenário ganha importância diante de uma mudança na epidemiologia da doença no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, a partir de 2023, o sorogrupo B passou a ser o mais prevalente no Brasil.

Vacinação ainda gera dúvidas

Apesar das lacunas sobre a meningite, os brasileiros demonstram forte apoio à vacinação. Entre os países participantes do levantamento, o Brasil se destacou pelo alto nível de concordância com a afirmação de que a vacinação é a coisa certa a fazer. No país, 96% dos entrevistados concordam com a medida, número acima da média global de 86%.

O conhecimento sobre quem deve ser vacinado, porém, é menor. Apenas 29% dos pais e 24% dos jovens identificam adolescentes e jovens adultos como grupos recomendados para imunização contra a meningite. Entre os jovens brasileiros, um em cada quatro também afirma não saber se já recebeu a vacina contra a doença.

A pesquisa mostra ainda que 30% dos pais de crianças não vacinadas dizem esperar que o assunto seja abordado durante uma consulta médica.

Onde pais e jovens buscam informação sobre a meningite

Os profissionais de saúde aparecem como uma das principais fontes de confiança para informações sobre vacinas. Entre os brasileiros entrevistados, 95% dos pais e 93% dos jovens afirmam confiar nesses profissionais para obter informações sobre vacinação.

A busca por informações também passa por novas ferramentas, como a inteligência artificial. Entre os pais entrevistados, 22% dizem encontrar informações sobre vacinas por meio da tecnologia. Já entre os jovens que usam inteligência artificial, 43% afirmam que recorreriam à ferramenta para decidir se os sintomas da doença são urgentes antes de procurar um hospital.

A vacinação é uma das principais formas de prevenção contra a doença. No Brasil, existem imunizantes que oferecem proteção contra cinco sorogrupos do meningococo: A, B, C, W e Y. A indicação das vacinas varia conforme a faixa etária e outros critérios, por isso a orientação deve ser feita por um profissional de saúde.

"Fazer com que o conhecimento se traduza em ação é um desafio que o Dia Mundial da Meningite traz à tona. A grande maioria das famílias brasileiras não sabe que estamos lidando com uma infecção que evolui de um mal-estar inespecífico para o risco de óbito ou sequelas irreversíveis em menos de 24 horas", alerta Rodrigo.

https://revistacrescer.globo.com/saude/noticia/2026/10/menos-de-20percent-dos-pais-sabem-que-a-meningite-pode-ser-fatal-em-poucas-horas.ghtml