Na ONU, Lula defende soberania e diz que Brasil 'não cabe no quintal de ninguém'
A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano". Disse Lula.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026. — Foto: AFP
Por Kellen Barreto, Mariana Laboissière, Ana Flávia Castro, Gustavo Garcia, g1 — Brasília
22/09/2026
Presidente defendeu não interferência de um país sobre o outro em meio à reta final da campanha brasileira; Lula têm manifestado preocupação com influência dos EUA nas eleições do Brasil.
• Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula defendeu a soberania nacional. Ele afirmou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém".
• O presidente declarou que diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para a integração. Ele criticou a ingerência externa em processos eleitorais.
• O discurso ocorre em meio a tensões diplomáticas com os Estados Unidos. O cenário é marcado pela eleição presidencial brasileira de 4 de outubro.
• Lula disputa o pleito com Flávio Bolsonaro, recebido por Donald Trump em maio. O governo de Trump impôs tarifas a produtos brasileiros.
• Na área ambiental, Lula destacou a queda do desmatamento. Ele defendeu explorar a Margem Equatorial e terras raras em benefício da população.
'O Brasil não cabe no quintal de ninguém', diz Lula em discurso na ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender nesta terça-feira (22) a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos, no discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU.
"Esta Assembleia [...] agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação", afirmou Lula.
Segundo Lula, "a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável", mas "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" e precisa de parceiros com agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.
"Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", prosseguiu o presidente (leia mais abaixo).
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a 81ª Assembleia Geral das Na-ções Unidas na sede da ONU em Nova York, em 22 de setembro de 2026 — Foto: TIMOTHY A. CLARY/AFP
"Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano".
A fala de Lula ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. As relações entre os dois países estão atravessadas pelo cenário eleitoral, em meio à reta final da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro.
Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, em maio, foi recebido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca durante uma viagem aos Estados Unidos.
Interferência externa e tarifas
Lula e integrantes do governo têm demonstrado preocupação com uma eventual interferência externa no processo eleitoral, especialmente por parte dos Estados Unidos, e defendido que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente aos brasileiros.
O governo de Donald Trump também impôs tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, medida contestada pelo governo Lula e também criticada pelo petista durante o seu discurso.
"A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitu-lam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações", declarou o presidente.
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas e reúne representantes dos 193 Estados-membros.
Durante o debate geral, chefes de Estado e de governo apresentam as posições e prioridades diante dos principais temas internacionais.
O Brasil, por tradição, abre os discursos do debate geral. A tradição é mantida desde 1955 e, neste ano, Lula foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Veja outros temas abordados por Lula no discurso:
• Combate ao crime organizado: "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime", afirmou Lula.
• Inteligência artificial e redes digitais: Lula criticou "tecno-oligarcas" que promovem uma corrida digital "sem freios éticos à revelia da ONU" e defendeu a regulamentação das plataformas.
• Defesa do PIX: "Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX", declarou o presidente.
• Tarifas e comércio internacional: afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) "respira por aparelhos" e criticou governos que capitulam diante dos que usam tarifas como "armas de coerção e chantagem".
• Defesa do multilateralismo e paz: cobrou reformas no Conselho de Segurança da ONU e defendeu a via diplomática para os conflitos globais.
Meio ambiente
Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil tem condições de conciliar desenvolvimento econômico, redução de emissões e preservação.
O presidente destacou a queda do desmatamento na Amazônia — que atingiu o menor nível em 11 anos —, disse que o país é referência em energia limpa e reafirmou que “a floresta vale mais em pé do que destruída”.
Ao mesmo tempo, afirmou que o governo seguirá buscando explorar recursos naturais, como os da Margem Equatorial e as terras raras necessárias à transição energética, sem abandonar a agenda ambiental e o processo de descarbonização.
"Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais", concluiu Lula.
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/22/na-onu-lula-defende-soberania-em-meio-a-eleicao-no-brasil-e-tensao-com-governo-trump.ghtml




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