VIAGEM TÉCNICA
Sobral. O município recebeu ontem uma delegação do governo da Etiópia, que está no Brasil desde a última segunda-feira. Os etíopes querem conhecer projetos, desenvolvidos em Sobral, nas áreas de infraestrutura hídrica e de saneamento básico. A delegação é formada por 14 pessoas, incluindo sete altos funcionários de três Ministérios (Águas e Energia, Saúde e Desenvolvimento Urbano), quatro representantes de governos locais, dois representantes do Unicef e um representante do Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID), que já apoia o governo etíope nessa área.
As atividades incluíram visita às comunidades rurais de Trapiá (Sobral), Campo Grande (Forquilha) e Sapó (Santana do Acaraú), onde a comitiva conheceu os trabalhos de água e esgoto do Sistema Integrado de Saneamento Rural (Sisar).
A delegação formada por ministros e autoridades chegou na "Princesa do Norte" ao meio dia da quarta-feira. O objetivo dos visitantes é adaptar a experiência brasileira de convivência com a estiagem à realidade de seu país. A delegação foi recebida pelo prefeito Clodoveu Arruda (Veveu) em um almoço. Às 14h participaram de uma reunião com integrantes do Gabinete Municipal de Monitoramento de Ações de Convivência com a Seca e Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sobral (Saae), no auditório do Centro de Educação a Distância do Ceará (CED), no bairro Derby Clube. Estavam ainda presentes representantes do Unicef.
À delegação africana, o prefeito Veveu falou das características do semiárido brasileiro e de Sobral, apresentando dados socioeconômicos sobre a cobertura de saúde e indicadores educacionais do município. O prefeito apresentou, também, como funciona o Gabinete Municipal de Monitoramento de Ações de Convivência com a Seca e os projetos hídricos desenvolvidos no município, como as cisternas de placa e de enxurrada, barragens subterrâneas, poços profundos e abastecimento com carro-pipa, através dos projetos São José e Água para Todos dos governos estadual e federal.
A delegação etíope também conheceu o funcionamento do Saae de Sobral e do Sisar, uma organização não governamental, criada em 1996, como uma alternativa de gestão para garantir a continuidade e a qualidade dos sistemas de abastecimento d'água em localidades rurais do Estado. "A nossa ideia é trocarmos experiências e termos uma colaboração mútua de aprendizagem. Estou muito honrado com a presença dos senhores", disse o prefeito Veveu à delegação da Etiópia.
Desde que chegaram ao Brasil, os africanos já estiveram em Brasília, visitando o Ministério das Cidades, Ministério da Integração Nacional, Agência Nacional de Águas e Fundação Nacional de Saúde (Funasa), para conhecerem as políticas públicas brasileiras de saneamento básico e experiências desenvolvidas em cidades brasileiras de pequeno e médio porte.
Ontem pela manhã, os técnicos etíopes visitaram uma localidade com cisterna e a comunidade da Mangueira, para conhecer os Módulos Sanitários Domiciliares. À tarde, foram apresentado à comitiva o Projeto São José, na sede da Cagece.
O Ceará foi escolhido por apresentar semelhanças com o clima da Etiópia, que também aponta a seca e a estiagem como problemas recorrentes. Os representantes consideram que as soluções tecnológicas utilizadas nas experiências de combate à seca e estiagem são eficazes, simples e de baixo custo, além de ter a participação da sociedade civil no planejamento, execução e avaliação dos serviços de saneamento oferecidos. O seminário foi organizado pelos governos brasileiro e etíope, com entidades parceiras como Fao e Unicef.
Jéssyca Rodrigues
Colaboradora




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