Na ONU, Lula defende o PIX, regras globais para inteligência artificial e regulação de big techs
Lula abriu a manhã de discursos do debate geral da Assembleia, em Nova York.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, presidente afirmou ainda que IA não deve ficar sob controle de poucas empresas ou países e defende normas internacionais para proteger direitos.
Por Kellen Barreto, g1 — Brasília - 22/09/2026
• O presidente Lula defendeu nesta terça-feira (22), na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a criação de regras e governança internacional para big techs e inteligência artificial.
• Lula criticou "tecno-oligarcas" que buscam um "neoliberalismo digital sem regras" e empresas que transferem às famílias a responsabilidade de lidar com os riscos de seus algoritmos.
• O presidente também reforçou críticas à indústria das bets, afirmando que ela "transforma o vício em lucro" e endivida lares brasileiros, e defendeu o PIX contra pressões por privatização.
• Por tradição, o Brasil abre o debate geral da ONU, seguido pelos Estados Unidos.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026 — Foto: Mike Segar/Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender nesta terça-feira (22), durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a regulação de big techs e a criação de regras e de uma governança internacional para o uso de inteligência artificial.
"Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades. Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência", disse.
Em seu discurso, o petista condenou atitudes de grandes empresas que agem sem responsabilidade sobre os impactos causados aos usuários. "Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos".
Também reiterou as críticas que tem feito à indústria das bets: "A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio".
O presidente também aproveitou a ocasião para defender, no maior fórum de debate internacional do mundo, o PIX.
"Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros".
Lula abriu a manhã de discursos do debate geral da Assembleia, em Nova York. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a se pronunciar, seguido pelos Estados Unidos.
🗺️ A Assembleia Geral da ONU é o principal evento das Nações Unidas e acontece anualmente em Nova York. Durante a assembleia, líderes dos 193 países membros da ONU discursam.
🗨️ O Brasil é tradicionalmente o responsável pelo discurso de abertura do debate de líderes na ONU, que está em sua 81ª edição. Cada país tem o direito de fazer um discurso para apresentar seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. O tema deste ano é "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas".
Na plenária, Lula defendeu que o desenvolvimento e o controle da inteligência artificial não fiquem concentrados nas mãos de poucas empresas ou países.
O presidente brasileiro defende que a tecnologia deve contribuir para o desenvolvimento e a redução das desigualdades, e não aprofundar diferenças entre países ou ser usada para alimentar conflitos.
Na avaliação do Brasil, é preciso criar regras internacionais para o uso da tecnologia, com participação dos governos e mecanismos para a proteção de direitos e dados pessoais.
Nos últimos anos, governos de diferentes países passaram a se reunir para discutir os riscos da tecnologia e possíveis regras comuns.
Em 2023, representantes de 28 países, entre eles Brasil, Estados Unidos e China, participaram, no Reino Unido, da primeira Cúpula de Segurança da Inteligência Artificial.
O encontro terminou com a chamada "Declaração de Bletchley", que reconhece perigos associados à IA e defende cooperação internacional para enfrentar.
Em 2025, mais de 100 países participaram, em Paris, da Cúpula de Ação sobre Inteligência Artificial. Entre os temas discutidos estavam: segurança, acesso à tecnologia e formas de estabelecer uma governança internacional para a IA.
Em julho deste ano, a ONU realizou, em Genebra, o primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, criado para manter os países reunidos em torno de temas como regras, riscos e cooperação internacional.
O que o Brasil defende sobre inteligência artificial?
O governo brasileiro defende que a inteligência artificial precisa ter regras, assim como outras áreas da sociedade. A preocupação é evitar que poucas empresas ou poucos países concentrem o controle da tecnologia.
O Brasil também defende que existam limites para o uso da IA, formas de proteger pessoas e para responsabilizar por crimes cometidos na esfera digital.
Outro ponto é garantir que os benefícios da inteligência artificial não fiquem restritos aos países mais ricos. A posição do governo brasileiro é de que a tecnologia também seja usada para melhorar áreas como educação, saúde e desenvolvimento econômico, sem aumentar ainda mais as desigualdades.
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/22/na-onu-lula-defende-regras-globais-para-inteligencia-artificial.ghtml



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