Por que Cristiano Ronaldo decidiu não entrar em campo pelo Al Nassr em protesto contra a liga saudita? Entenda
A situação é particularmente delicada considerando o contexto contratual do jogador português:
Insatisfeito com a falta de investimento, o astro português não jogará nesta segunda-feira contra o Al Riyadh
Por La Nacion — Buenos Aires - 03/02/2026
Cristiano Ronaldo é o atleta mais bem pago do mundo — Foto: Fayez Nureldine / AFP
Uma revolta inesperada abalou uma liga acostumada aos excessos de poder e dinheiro. Cristiano Ronaldo decidiu não jogar na partida do Al Nassr contra o Al Riyadh, e, segundo o jornal português A Bola, o motivo não é lesão ou problema pessoal. É um protesto. E atinge o próprio coração do projeto saudita.
O gesto do atacante português, que completa 41 anos na quinta-feira e continua sendo a figura mais influente do campeonato, abalou a estrutura interna do clube e expôs uma fissura que até então vinha sendo tratada discretamente: o descontentamento de Cristiano com a forma como o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) administra o Al Nassr em comparação com outros times da liga, especialmente o Al Hilal, também sob sua gestão.
Segundo fontes citadas pelo jornal A Bola, Ronaldo rejeitou a versão inicialmente divulgada na Arábia Saudita, que falava de um problema físico antes da partida. Mas a realidade é que ele não está lesionado nem pediu descanso; simplesmente optou por não jogar. Fez isso como forma de expressar seu descontentamento com a falta de reforços e com a sensação de desigualdade que, nos bastidores, ele não está mais disposto a tolerar.
janela de transferências de inverno expôs essa inquietação. Enquanto o Al Nassr contratou apenas Haydeer Abdulkareem, um meio-campista iraquiano de 21 anos, outros clubes apoiados pelo mesmo fundo fizeram contratações significativas. O Al Hilal, líder do campeonato, investiu quase dois milhões de euros no zagueiro espanhol Pablo Marí e se prepara para gastar cerca de 30 milhões pelo atacante francês Kader Meité . O clube também estuda a chegada de Karim Benzema, craque do Al Ittihad e ex-companheiro de Cristiano Ronaldo no Real Madrid.
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A comparação é inevitável. E para Ronaldo, segundo o jornal português, é intolerável. O atacante acredita que o projeto esportivo do Al Nassr perdeu relevância dentro da estrutura política do futebol saudita e que a falta de investimento prejudica a competitividade da equipe em uma liga criada justamente para demonstrar poder global.
A tensão não se limita ao mercado de transferências. Nas últimas semanas, a estrutura administrativa do Al Nassr também sofreu mudanças significativas. O diretor esportivo Simão Coutinho e o gerente geral José Semedo, ambos portugueses e próximos de Cristiano Ronaldo, perderam autoridade por decisão da diretoria. Essa redução de poder exacerbou o desconforto do capitão e aprofundou seu sentimento de isolamento dentro do clube.
Este não é o primeiro sinal de inquietação dentro do ecossistema saudita. Em janeiro, Jorge Jesus, técnico do Al Hilal, fez uma declaração que repercutiu fortemente na liga: "O Al Nassr não tem o poder político que o Al Hilal tem". Essa declaração gerou uma forte reação institucional e levou até mesmo a um pedido formal de sanções contra o treinador. Hoje, o gesto de Cristiano parece confirmar que essa percepção vai além da mera retórica.
A situação é particularmente delicada considerando o contexto contratual do jogador português. Em junho de 2025, Ronaldo renovou seu contrato com o Al Nassr em meio a especulações sobre um possível retorno à Europa na preparação para a Copa do Mundo de 2026. Ele assinou um con-trato de dois anos no valor de mais de US$ 400 milhões, incluindo salário, bônus e incentivos co-merciais relacionados à promoção do clube e do campeonato.
Esse contrato transformou Cristiano em figura central do projeto saudita, não apenas dentro de campo, mas também como um ícone global. O Índice de Bilionários da Bloomberg o incluiu pela primeira vez no ano passado, estimando seus ganhos totais na carreira em mais de US$ 1,4 bi-lhão. No entanto, o verdadeiro sucesso esportivo na Arábia Saudita continua sendo algo inatingível.
Desde que chegou em 2022, Ronaldo ainda não conquistou um título oficial com o Al Nassr. Ele venceu apenas o Campeonato Árabe de Clubes, uma competição regional não reconhecida pela FIFA. Isso contrasta fortemente com suas conquistas na carreira: 35 títulos por clubes e seleções nacionais, incluindo campeonatos em Portugal, Inglaterra, Espanha e Itália, além do Campeonato Europeu e dois títulos da Liga das Nações com Portugal.
Em termos de números, o jogador português continua a perseguir um objetivo simbólico. Ele já marcou 961 gols oficiais e está a 49 de alcançar a marca de 1.000. Mas tudo indica que esse nú-mero não mudará nesta segunda-feira. E não exatamente por causa de uma lesão.
O boicote de Cristiano levanta uma questão incômoda para o campeonato saudita. Se o jogador que melhor representa o projeto decide se rebelar, mesmo que por apenas uma noite, a mensagem vai muito além do Al Nassr. Ela expõe tensões internas, prioridades conflitantes e uma estrutura que, apesar de seu poder econômico, ainda busca um equilíbrio entre marketing global e competitividade esportiva.
https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/02/03/por-que-cristiano-ronaldo-decidiu-nao-entrar-em-campo-pelo-al-nassr-em-protesto-contra-a-liga-saudita-entenda.ghtml




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